Celulares apreendidos viram ‘prova nuclear’ contra Deolane e PCC

Aparelhos com áudios e registros bancários foram essenciais para revelar esquema financeiro da facção e tornaram influenciadora ré na Justiça

Celulares apreendidos viram prova nuclear contra Deolane e PCC

Deolane Bezerra e Marcola /Reprodução/Instagram/Ministério Publico

A decisão da Justiça de São Paulo que aceitou a denúncia do Ministério Público aponta que o conteúdo extraído de dois celulares é a principal prova da investigação sobre lavagem de dinheiro e organização criminosa.

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O material foi descrito pelo juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, como a “prova nuclear” do caso.

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Segundo a decisão, os aparelhos continham mensagens, áudios, comprovantes de depósitos e registros bancários capazes de ajudar os investigadores a reconstruir a movimentação financeira do grupo investigado.

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Além de Deolane, também se tornaram réus o líder do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, familiares do criminoso e outros investigados apontados pelo Ministério Público.

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A influenciadora está presa preventivamente desde 21 de maio na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no interior de São Paulo.

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Áudios e mensagens chamaram atenção dos investigadores

Um dos aparelhos analisados foi um Samsung Galaxy J5 apreendido na residência do empresário Ciro Cesar Lemos.

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De acordo com as investigações, ele seria responsável por realizar repasses financeiros ligados ao esquema investigado.

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No aparelho, a Polícia encontrou conversas mantidas pelo Telegram entre agosto de 2020 e abril de 2021. Entre os arquivos recuperados estão mensagens de áudio consideradas importantes para a acusação.

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Em uma delas, Ciro afirma ter trabalhado durante quatro anos para Alejandro Herbas Camacho Junior, irmão de Marcola, conhecido como “Gordão” nas conversas.

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Os investigadores também localizaram comprovantes bancários e registros de movimentações financeiras.

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Segundo o Ministério Público, esses documentos ajudam a identificar a origem dos valores, os intermediários e os beneficiários dos repasses.

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Mensagens citam movimentação de dinheiro

A investigação também faz referência a áudios enviados a uma diarista. Conforme a denúncia, as mensagens indicariam que Deolane mantinha valores ligados à facção em imóveis associados a ela e aos seus filhos.

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A decisão judicial não detalha integralmente o conteúdo das gravações.

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Mesmo assim, o material foi considerado relevante para sustentar as acusações apresentadas pelo Gaeco.

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Conversas envolvem sobrinha de Marcola

Em um segundo aparelho, um iPhone X, os investigadores encontraram conversas com Paloma Sanches Herbas Camacho. Ela é sobrinha de Marcola e também figura entre os denunciados pelo Ministério Público.

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As mensagens mostram o compartilhamento de contas bancárias e o envio de comprovantes de transferências.

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Para os promotores, o conteúdo reforça a suspeita de que familiares e pessoas próximas aos líderes do PCC participavam da distribuição dos recursos investigados.

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Denúncia foi aceita pela Justiça

As informações encontradas nos celulares foram cruzadas com relatórios do Coaf, quebras de sigilo bancário e análises fiscais.

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O conjunto de elementos serviu de base para a denúncia apresentada pelo Ministério Público.

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Com a decisão da Justiça, os investigados passam oficialmente à condição de réus. Isso não significa condenação, mas marca o início da ação penal.

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A partir de agora, o processo segue para as fases de produção de provas, oitivas e apresentação das defesas.

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A defesa de Deolane nega qualquer ligação da influenciadora com o PCC e afirma que ela não praticou os crimes apontados pela acusação.