Conselho eleva mistura de etanol na gasolina para 32% para reduzir importação e segurar alta do combustível

Em meio à disparada do barril de petróleo pelo conflito no Oriente Médio, conselho eleva obrigatoriedade de biocombustível e projeta matriz energética mais limpa

Gasolina no Brasil contém uma porcentagem de etanol. Imagem: Agência Senado

Gasolina no Brasil contém uma porcentagem de etanol. Imagem: Agência Senado

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou nesta terça-feira (14/7) o aumento do percentual de etanol anidro na gasolina para 32%.

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Segundo as projeções do Ministério de Minas e Energia, a implementação pode reduzir a necessidade de importação de gasolina em cerca de 900 milhões de litros por ano. Além disso, a nova medida pode reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

Embora o anúncio do aumento da mistura seja encarado pelo governo como uma medida voltada à segurança energética e à transição de combustíveis mais limpos, o anúncio acontece em meio ao aumento no preço do combustível, impulsionado por causa do conflito no Oriente Médio.

“Nesse contexto, a utilização de uma maior parcela de etanol produzido no país busca reduzir a dependência de combustíveis fósseis importados e possibilitar a maior presença desse biocombustível na matriz energética brasileira”, justificou o CNPE, em nota.

A possibilidade de ampliar a participação do etanol na gasolina foi aberta pela Lei do Combustível do Futuro. A legislação ampliou a faixa permitida para a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 22% a 27% para um intervalo entre 22% e 35%.

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A nova estratégia deve reduzir o repasse da alta do petróleo para o preço final da gasolina comercializada em postos de combustíveis.

Mistura pode danificar veículos?

Como forma de tranquilizar os condutores, o CNPE reforçou que o uso da nova mistura não gerou impactos relevantes nos automóveis. O Conselho realizou uma etapa de testes antes da medida ser efetivamente adotada.

“No percurso dos testes, foram analisados aspectos como desempenho, dirigibilidade, partida a frio, consumo de combustível e emissões, tanto em ambiente laboratorial quanto em condições reais de uso. De acordo com os resultados, a utilização do E32 apresentou comportamento equivalente ao observado com misturas de menor teor de etanol, sem impactos relevantes no funcionamento dos veículos, inclusive aqueles equipados com motores não flex”, complementou nota do colegiado, formado por ministros e sociedade civil.