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Fabricio Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia, interior de São Paulo, na casa de  Wassef
Fabricio Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia, interior de São Paulo, na casa de Wassef
Foto: Eduardo Anizelli/Folhapress

Caderno de mulher de Queiroz tinha contatos da família Bolsonaro e da milícia

De acordo com o Ministério Público, as anotações feitas à mão seriam uma espécie de guia para Márcia na ausência do marido

Um caderno apreendido com a mulher de Fabrício Queiroz, Márcia Oliveira de Aguiar, em dezembro do ano passado tinha uma agenda-guia de números de celulares atribuídos ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido), ao próprio Flávio, à primeira-dama Michelle e a diversas pessoas ligadas à família.

De acordo com o Ministério Público, as anotações feitas à mão seriam uma espécie de guia para Márcia na ausência do marido. Não é possível saber a data exata das anotações. As informações são do jornal “O Estado de S. Paulo”.

Queiroz foi preso no dia 18 de junho em Atibaia, interior de São Paulo, na casa de Frederick Wassef, então advogado de Flávio no caso das ‘rachadinhas’ na Assembleia Legislativa do Rio. Márcia é considerada foragida desde então.

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Em outras páginas do caderno, há ainda contatos e anotações sobre policiais, pessoas envolvidas com a milícia e políticos do Rio. Um desses contatos estaria guardando uma pistola Glock para Queiroz enquanto o ex-assessor se escondia em São Paulo, segundo a anotação de Márcia.

No pedido de prisão preventiva no mês passado, a Promotoria mencionou apenas três nomes que poderiam favorecer Queiroz caso ele fosse levado para o Batalhão Especial Prisional (BEP), vinculado à Polícia Militar. Mas, no material bruto, outros contatos figuram com comentários que também indicam orientações do marido enquanto estava escondido. Outros – como os telefones atribuídos a Bolsonaro, Flávio e Michelle – não vêm acompanhados de anotações específicas e aparecem apenas com nome e número.

A família presidencial compõe parte significativa dos papéis. Numa mesma folha, dois números de Jair e um de Michelle aparecem juntos; noutra, um celular de Flávio e um de sua mulher, Fernanda. Há ainda o contato de Max Guilherme Machado de Moura, ex-segurança e hoje assessor especial do presidente, além do sócio de Flávio na loja de chocolate investigada por suposta lavagem de dinheiro, Alexandre Santini.

Bolsonaro não é – e nem poderia ser, por causa do foro especial – investigado pelo Ministério Público do Rio. Também não há indícios, nas conversas mantidas por Márcia no período em que ela a família passou a ser investigados, de que tenha havido alguma troca de mensagens entre a mulher de Queiroz e o presidente e seus parentes.

Não é possível saber a data exata das anotações, já que eram feitas à mão. Algumas indicações de Márcia, contudo, deixam claro que foram escritas depois da eleição de 2018. Políticos que estão em primeiro mandato na atual legislatura já apareciam ali identificados pelos seus respectivos cargos. É o caso dos deputados estaduais Rodrigo Amorim (PSL) e Marcelo do Seu Dino (PSL), o federal Lourival Gomes (PSL-RJ) e o segundo suplente de Flávio no Senado, Léo Rodrigues, que atualmente é secretário de Ciência e Tecnologia do governo de Wilson Witzel (PSC).

As páginas do bloquinho têm no rodapé a mensagem “Jesus, eu confio em Vós” e, no canto superior direito, a imagem divina. Foram apreendidas em dezembro de 2019, quando o Ministério Público cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Queiroz. Segundo a investigação, o caderno era uma espécie de guia para Márcia caso o marido fosse preso e ela não estivesse entre os alvos.

O deputado Rodrigo Amorim contou que conheceu Queiroz em 2016, quando o hoje parlamentar foi candidato a vice-prefeito na chapa de Flávio Bolsonaro. “Sempre o vi como um militante aguerrido, um cara que gostava de trabalhar na rua, de abordar o eleitor. Agora, se ele cometeu erros, que responda, dentro da Lei e com a ampla defesa a que tem direito.” Amorim não se manifestou sobre a existência de um número atribuído a ele no caderno.

O secretário e suplente de senador Léo Rodrigues afirmou que conhece Queiroz porque fizeram campanha juntos, mas que desconhece a existência da agenda de Márcia.

O senador Flávio Bolsonaro, o presidente e a primeira-dama foram procurados, mas até a publicação desta reportagem não deram resposta.

A reportagem não conseguiu contato com os deputados Marcelo do Seu Dino e Lourival Gomes; a família Brazão não respondeu até a conclusão deste texto.

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