Eduardo Leite anuncia pré-candidatura à reeleição do Rio Grande do Sul

Tucano descumpriu as reiteradas promessas de que não concorreria à reeleição e anunciou candidatura ao Piratini

Eduardo Leite

Eduardo Leite | Reprodução/ Tv Globo

Passados 77 dias da renúncia ao cargo de governador do Rio Grande do Sul, ocasião em que disse que o gesto não lhe retirava “nenhuma possibilidade” e “oferecia todas”, Eduardo Leite (PSDB) está de volta ao ponto de partida.

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Em coletiva de imprensa ao lado do atual governador Ranolfo Vieira Júnior (PSDB), o tucano descumpriu as reiteradas promessas de que não concorreria à reeleição e anunciou candidatura ao Piratini. Ainda que fora do cargo, tentará ser o nome a quebrar o tabu do estado que nunca reelegeu um governador.

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“Essa decisão é uma decisão coletiva. Ouvi diversas opiniões, não só a minha. E eu mudei de opinião, mas não de princípios. É legítimo, é benéfico, separar o governador do candidato e eu só concorreria dessa forma. O Rio Grande do Sul virou o jogo, mas o jogo não terminou.”

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“Se o plano A fosse ser presidente, eu teria trocado de partido. O plano A era dar a melhor contribuição possível ao país.”

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Com isso, Leite encerra de vez a aventura à Presidência da República que incluiu uma derrota nas prévias internas para João Doria (PSDB), um flerte com o PSD e uma mal sucedida tentativa de candidatura paralela com o incentivo de Aécio Neves (PSDB).

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Agora, tanto o PSDB gaúcho quanto o paulista buscam superar o desgaste para manter seus governos estaduais.

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À luz da lei eleitoral, a nova candidatura de Leite não difere de uma candidatura à reeleição, dado que é a mesma pessoa concorrendo ao mesmo cargo, mesmo que ele tenha renunciado em meio ao mandato.

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Ou seja, Leite não poderá se candidatar novamente ao Piratini em 2026. Ranolfo, por sua vez, só poderia concorrer a governador em 2022 e ficará sem cargo eletivo.

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Embora já fosse esperada por potenciais aliados e concorrentes, a indefinição de Leite vinha sendo usada como justificativa pelo MDB para manter a pré-candidatura do deputado estadual Gabriel Souza.

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Após passagem pela presidência da Assembleia Legislativa, em 2021, Souza alimentou a esperança de contar com o apoio de Leite e de lançar uma candidatura com o mesmo apelo, de um político jovem (tem 38 anos, um a mais do que Leite) e moderado com um projeto de união de forças de partidos de centro.
Agora, Souza é pressionado dentro do MDB a desistir.

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Além de entender que Souza disputaria o mesmo eleitorado de Leite, o diretório gaúcho é cobrado pelo MDB nacional a cumprir o acordo feito em nome da candidatura de Simone Tebet à presidência. Em troca do apoio tucano, o partido apoiaria o PSDB no Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rio Grande do Sul.

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O ex-governador Germano Rigotto (MDB), que coordena o plano de governo de Tebet, é um dos que incentivam a coligação local.

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No melhor dos cenários, Leite reuniria em torno de si uma coligação com MDB, União Brasil, Cidadania e PSD – que lançará Ana Amélia ao Senado pela chapa.

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Embora vejam a candidatura do senador Luis Carlos Heinze (PP) a governador como inevitável, os tucanos contam ainda com apoio informal da parte mais pragmática e menos bolsonarista do PP pelo interior do RS.

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À direita, a candidatura mais forte, por ora, é a do ex-ministro e deputado federal bolsonarista Onyx Lorenzoni (PL).

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O retorno de Leite também aumenta a pressão sobre as candidaturas de esquerda. Se antes, tanto as pré-candidaturas do deputado estadual Edegar Pretto (PT) quanto do ex-deputado federal Beto Albuquerque (PSB) se viam capazes de almejar lugar no segundo turno, com Leite no páreo o caminho se estreita.

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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixou o RS no início do mês sem ungir Pretto candidato e exigindo um acordo para as candidaturas a governador e senador.

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Já o PSB nacional ameaçou punir Beto após ele acenar com apoio à candidatura presidencial de Ciro Gomes (PDT) como retaliação ao avanço da pré-candidatura de Pretto.

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Ciro passou pelo estado sem se posicionar sobre o PSB e lançou palanque próprio: a pré-candidatura do ex-deputado federal Vieira da Cunha (PDT).

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Uma reunião entre partidos de esquerda – PT, PSB, PCdoB e PV – está marcada para quarta-feira (15). Diante do impasse entre PT e PSB, cresce a possibilidade de uma terceira via: antes cogitada para o Senado, Manuela D’Ávila (PCdoB) poderia ser candidata ao governo do estado, embora ela tenha declarado que não concorrerá a cargos públicos em 2022.