O Ozivy, apelidado de “Ozempic brasileiro”, um medicamento à base de semaglutida produzido pela EMS, começou a ser comercializado no Brasil e ganhou destaque por chegar ao mercado com preço inferior ao do Ozempic.
Apesar da procura por pessoas interessadas em perder peso, o medicamento foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apenas para o tratamento do diabetes tipo 2.
A utilização para emagrecimento é considerada uso off label, ou seja, ocorre fora da indicação aprovada em bula, mas pode ser realizada mediante prescrição e acompanhamento médico. Outro ponto de atenção é a dose máxima de 1 mg por semana, inferior à utilizada em medicamentos aprovados especificamente para obesidade, como o Wegovy.
Estudos clínicos apontam que pacientes com diabetes tipo 2 e sobrepeso que utilizaram a dose semanal de 1 mg de semaglutida, associada à prática de atividades físicas e mudanças na alimentação, registraram perda média de 7% do peso corporal após cerca de 17 meses de tratamento.
O protocolo de uso do medicamento é gradual. Nas primeiras quatro semanas, a dose recomendada é de 0,25 mg por semana. Em seguida, passa para 0,5 mg e, posteriormente, chega à dose de manutenção de 1 mg semanal. O escalonamento é adotado para reduzir a ocorrência de efeitos colaterais gastrointestinais.
Quanto custa o tratamento com o Ozivy
O custo do tratamento varia conforme a modalidade de compra. Pelo programa Vida + Leve, oferecido pela EMS, os três primeiros meses custam R$ 863,23 e, a partir do quarto mês, cada caneta passa a custar R$ 498. Ao longo de 17 meses, o gasto total estimado é de R$ 7.835,23.
Sem adesão ao programa, o tratamento custa aproximadamente R$ 7.876 no mesmo período. Apesar da pequena diferença financeira entre as duas modalidades, o programa facilita o acesso ao medicamento no início da terapia.
Especialistas destacam, porém, que pacientes que necessitam de doses superiores a 1 mg podem precisar recorrer a outros medicamentos. Atualmente, o Wegovy é o único produto à base de semaglutida aprovado no Brasil para o tratamento da obesidade, com doses de até 2,4 mg semanais.
Nesse caso, o custo é significativamente maior. As doses mais elevadas podem ultrapassar R$ 2,6 mil por mês, embora programas de desconto reduzam esse valor para cerca de R$ 1,7 mil mensais.
A EMS estima que aproximadamente metade do mercado brasileiro de medicamentos à base de GLP-1 ainda seja abastecida por produtos importados irregularmente ou manipulados fora da regulamentação. Com a chegada do Ozivy, a expectativa da empresa é ampliar o acesso à semaglutida no país e aumentar a concorrência no setor.
A farmacêutica informou que a primeira remessa disponibilizada ao mercado conta com 500 mil canetas e projeta faturamento superior a R$ 500 milhões no primeiro ano de comercialização.
