Estudo revela que 92% das patentes da Mata Atlântica estão fora do Brasil

Países líderes no desenvolvimento e depósito das espécies brasileiras são China, Japão, EUA e Coreia do Sul

Mata Atlântica brasileira

Mata Atlântica brasileira | Jose Eduardo Camargo/Pixabay

O Instituto Nacional da Mata Atlântica (Inma) revelou, em um estudo inédito, que 92% das patentes mundiais de espécies de plantas nativas da Mata Atlântica brasileira foram desenvolvidas e depositadas fora do Brasil. O levantamento foi publicado na revista “World Patent Information”.

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A análise comparou informações de mais de 25 mil espécies registradas pelo Programa Reflora/CNPq, com dados mundiais de depósitos patentes entre os anos de 1960 e 2021. Os países líderes no desenvolvimento e depósito das espécies nacionais são China, Japão, Estados Unidos e Coreia do Sul.

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“Os atuais mecanismos nacionais e internacionais de concessão de patentes e de controle de registro de acesso à biodiversidade e aos conhecimentos tradicionais associados são limitados para identificar e monitorar a origem do patrimônio genético. Por isso, não é possível reconhecer possíveis atividades de biopirataria nesses depósitos realizados fora do país por estrangeiros”,  explicou Celise Villa dos Santos, líder do estudo.

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O estudo foi liderado pela pesquisadora Celise Villa dos Santos, do Inma, com contribuição dos professores Fábio Mascarenhas e Silva, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e Leandro Innocentini Lopes de Faria, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

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Empresas estrangeiras

Entre os depositantes chineses de patentes com espécies de flora que ocorrem na Mata Atlântica, há muitas empresas, em contrante com as nacionais, como institutos de pesquisa e universidades (leia mais abaixo).

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No Japão, Estados Unidos e países europeus, ainda conforme o estudo, as patentes estão concentradas em grandes corporações, algumas com filiais no Brasil. ”Possivelmente, essas filiais agem como facilitadoras de atividades envolvendo acesso e desenvolvimento de produtos com patrimônio genético brasileiro”, afirmou Celise.

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Poucas nacionais

As poucas empresas brasileiras titulares de patentes são corporações consolidadas no mercado nacional. Os titulares brasileiros com mais patentes são institutos de pesquisa, universidades públicas e depositantes individuais.

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“Esses titulares, por si só, não fabricam ou vendem produtos, o que reflete as atuais limitações nacionais para desenvolver e comercializar produtos e serviços inovadores baseados na biodiversidade”, afirmou a pesquisadora.

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Patentes

Entre as 39 patentes com a flora da Mata Atlântica desenvolvidas no Brasil, segundo o estudo, somente seis foram depositadas também em outros países.

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“As patentes são solicitadas e concedidas país por país. Cada país tem uma legislação específica e tem autonomia para conceder ou não. Uma patente com depósito em mais de um país é considerada economicamente mais importante”, afirmou Celise.

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Setores

O levantamento identificou que os 1.258 depósitos de patentes nativas da Mata Atlântica estão concentradas nos setores agricultura e pecuária, farmacêutico e cosmético, alimentos e bebidas, e de tratamento de água, esgotos e resíduos.

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Entre as espécies endêmicas (ou seja, que só ocorrem naquele bioma) da Mata Atlântica com mais patentes, estão Salvia splendens, Sinningia speciosa, Manihot glaziovii, Eugenia brasiliensis e Aphelandra squarrosa – todas essas com ocorrência no Espírito Santo.

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Apenas 31 patentes desenvolvidas em outros países e depositadas no Brasil estão concentradas em setores econômicos nos quais o Brasil é grande produtor ou consumidor de insumos: agricultura, setor farmacêutico e tratamento de água, esgoto e resíduos.

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Agricultura

Na agricultura, as inovações estão relacionadas principalmente a plantas transgênicas e herbicidas potencialmente nocivos ao meio ambiente.

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Entre as espécies com patentes, 18% das espécies endêmicas e 4% das não endêmicas estão classificadas com algum grau de risco de extinção, enquanto 61% das endêmicas e 94% das não endêmicas ainda não foram avaliadas ou possuem deficiência de dados para avaliação de estado de ameaça.