Capitão da França na 1ª Copa do Mundo foi considerado um dos maiores traidores do país e acabou fuzilado

Alex Villaplane liderou a seleção francesa na Copa do Mundo de 1930, mas abandonou os gramados para integrar uma organização que colaborou com os nazistas durante a Segunda Guerra Mundial

Taça da Copa do Mundo e Alex Villaplane, capitão da França na Copa de 1930

Poucos jogadores viveram uma queda tão dramática quanto Alex Villaplane, o primeiro capitão da seleção francesa em uma Copa do Mundo/Depositphotos e Domínio Público

Poucos jogadores viveram uma queda tão dramática quanto Alex Villaplane, o primeiro capitão da seleção francesa em uma Copa do Mundo.

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O jogador tinha tudo para construir uma trajetória histórica no futebol. No entanto, fez escolhas que transformaram seu nome em um dos mais desprezados da França.

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Em vez de ser lembrado pelos feitos dentro de campo, Villaplane entrou para a história como colaborador do regime nazista durante a Segunda Guerra Mundial.

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Sua participação em crimes brutais culminou em uma condenação à morte por fuzilamento, em 1944.

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Do norte da África ao protagonismo no futebol francês

Alex Villaplane nasceu em 12 de setembro de 1905, em Argel, na Argélia, então território administrado pela França. Ainda adolescente, mudou-se para o país europeu para viver com os tios e buscar oportunidades no futebol.

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Aos 16 anos, ingressou no FC Sète, onde chamou rapidamente a atenção do treinador escocês Victor Gibson. Graças à qualidade nos passes, à inteligência tática e ao excelente jogo aéreo, conquistou espaço na equipe principal.

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Pouco depois, transferiu-se para o Nîmes. Na época, o futebol francês ainda mantinha oficialmente o status de amador. Apesar disso, diversos clubes encontravam maneiras de remunerar atletas, oferecendo empregos paralelos para driblar as regras.

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Enquanto defendia o Nîmes, Villaplane consolidou seu espaço na seleção francesa. Primeiro disputou os Jogos Olímpicos de 1928.

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Em seguida, recebeu a braçadeira de capitão da França na primeira Copa do Mundo, realizada no Uruguai, em 1930, atuando nas três partidas da equipe.

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Fama, luxo e o início da decadência de Alex Villaplane

Depois do Mundial, a carreira começou a perder força. Aos poucos, Villaplane passou a dedicar mais tempo à vida social do que ao futebol.

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Ele frequentava cabarés, eventos luxuosos e corridas de cavalos. Ao mesmo tempo, acumulava polêmicas.

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Em 1932, enfrentou acusações de envolvimento na manipulação de uma partida entre Antibes e SC Fives Lille.

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Mais tarde, transferiu-se para o Nice, mas colecionou faltas aos treinamentos, recebeu diversas multas e demonstrou pouco interesse dentro de campo. Como consequência, o clube rescindiu seu contrato.

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Sem espaço no futebol profissional, Villaplane gastou rapidamente a fortuna conquistada nos gramados para sustentar um estilo de vida marcado pela ostentação.

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Em 1935, voltou ao noticiário por outro escândalo. Dessa vez, recebeu punição por participar de esquemas envolvendo corridas de cavalos em Paris e na Costa Azul.

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Segunda Guerra Mundial revelou seu lado mais cruel

Se os episódios anteriores já haviam destruído sua reputação esportiva, a Segunda Guerra Mundial marcou o capítulo mais sombrio de sua vida.

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Depois que os nazistas ocuparam Paris, em junho de 1940, passaram a recrutar colaboradores franceses para perseguir judeus, integrantes da resistência e civis.

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Entre esses colaboradores estava o policial corrupto Henri Lafont, que organizou uma poderosa quadrilha conhecida como Gestapo Francesa.

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Dentro dessa estrutura surgiu a Brigade Nord Africain, unidade formada principalmente por imigrantes do norte da África.

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Alex Villaplane integrou o grupo e rapidamente assumiu o posto de subcomandante. A motivação era simples: dinheiro.

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Saques, assassinatos e terror

Sob o comando da organização, Villaplane participou de uma sequência de crimes que chocou a França.

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Além de saquear propriedades, o grupo promovia estupros, execuções e perseguições contra civis. Testemunhas relataram episódios de extrema violência praticados pela unidade.

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Durante o julgamento, o promotor descreveu a atuação da quadrilha em palavras contundentes:

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“Eles saquearam, estupraram, roubaram, mataram e se uniram aos alemães por feitos ainda piores, efetuando as mais terríveis execuções. Deixaram fogo e destruição por onde passaram. Uma testemunha nos contou como viu com os próprios olhos esses mercenários pegando joias dos corpos ainda contorcidos e manchados de sangue das vítimas. Villaplane estava no meio disso tudo, calmo e sorridente.”

Relatos da época afirmam que o ex-capitão francês demonstrava tranquilidade durante as execuções e participava ativamente das operações conduzidas pela organização.

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A tentativa frustrada de escapar da Justiça

Quando percebeu que a Alemanha caminhava para a derrota, Villaplane tentou mudar de lado.

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Segundo depoimentos reproduzidos pelo jornal britânico The Guardian, ele passou a abordar civis franceses afirmando que também era vítima dos alemães. Em seguida, oferecia falsa proteção em troca de grandes quantias de dinheiro.

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Uma testemunha afirmou que Villaplane dizia:

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“Vivemos tempos terríveis. Sou um francês obrigado a usar uniforme alemão. Posso salvar vocês, mas preciso de 400 mil francos.”

Na prática, o ex-jogador explorava o desespero da população para enriquecer ainda mais.

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O fim do primeiro capitão da França em Copas

Após a libertação de Paris, as autoridades prenderam Alex Villaplane e os principais integrantes da Gestapo Francesa.

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O tribunal o considerou culpado por colaborar com os nazistas e participar de inúmeros crimes de guerra.

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A Justiça francesa condenou Villaplane à pena de morte. Em 26 de dezembro de 1944, ele foi fuzilado no Forte de Montrouge, ao lado de Henri Lafont e de outros membros da organização criminosa.

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Assim terminou a história daquele que, anos antes, havia carregado a braçadeira de capitão da França na primeira Copa do Mundo.

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Em vez de ocupar lugar de destaque na memória do futebol, Alex Villaplane ficou conhecido como um dos maiores traidores da história francesa.