Lula afirma que Europa é prioridade para Mercosul, ‘depois a China’

O petista afirmou que gostaria de acelerar e assinar um acordo do bloco sul-americano com a União Europeia

Lula (PT), Janja, a primeira-dama, e Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai em encontro nesta quarta (25)

Lula (PT), Janja, a primeira-dama, e Luis Lacalle Pou, presidente do Uruguai em encontro nesta quarta (25) | Ricardo Stuckert

A despeito das rusgas entre Uruguai e outros países-membros do Mercosul, o presidente Luis Lacalle Pou afirmou nesta quarta-feira (25), após receber o brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Montevidéu, que não há brigas no bloco. “Temos algumas diferenças, mas nos concentramos nos pontos em que queremos avançar.” 

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Já Lula, que chegou ao país após passar por Buenos Aires, disse que as demandas uruguaias são justas e que está de acordo com as “ideias de modernização do Mercosul” -mas que, antes, seria necessário que equipes técnicas analisassem o que Montevidéu propõe. 

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O petista afirmou que gostaria de acelerar e assinar um acordo do bloco sul-americano com a União Europeia (UE) antes de falar sobre a possibilidade de um tratado com a China -algo que já está nos planos de Lacalle Pou. “Sempre achei que o Brasil, por seu tamanho, deveria ter uma relação generosa com vizinhos como o Uruguai.” 

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Lula disse que o Brasil precisa estreitar alianças com os países da região e voltou a criticar seus antecessores, assim como fez com Jair Bolsonaro (PL) em Buenos Aires, ao afirmar que recebeu um país em más condições, “depois do governo do golpista Michel Temer [MDB] e de Bolsonaro”. 

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(O emedebista emitiu nota defendendo avanços de sua gestão e acusando o petista de “insistir em manter os pés no palanque e os olhos no retrovisor, tentando reescrever a história por meio de narrativas ideológicas”. Segundo ele, “o Brasil não sofreu um golpe institucional, foi sim ‘vítima’ de um golpe de sorte com sua chegada ao poder após o impeachment de Dilma Rousseff.) 

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O presidente chegou à residência oficial do líder uruguaio por volta das 12h30, vindo da Cúpula da Celac (Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos), grupo que o país voltou a integrar recentemente, na Argentina. 

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O objetivo expresso da visita seria conversar sobre o Mercosul, que vem funcionando em modo lento. Há, porém, desavenças entre ambos os países, porque Lacalle Pou quer um bloco mais dinâmico e flexível. O Uruguai já negocia um tratado de livre comércio com a China, algo que estaria fora das regras do colegiado. 

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“O Uruguai precisa se abrir ao mundo”, disse o presidente uruguaio sobre a possibilidade de um acordo com o gigante asiático, acrescentando que na reunião eles concordaram que o país continuará com suas negociações, “e o Brasil pode fazer seu caminho”. “Caso o Uruguai avance no acordo -ou o Brasil avance-, um contará ao outro para saber se querem entrar juntos ou não.” 

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Lula disse considerar a demanda justa e que não pode se opor ao caminho escolhido por seu homólogo, mas reforçou a preferência pelo foco no acordo do Mercosul com a União Europeia. 

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“Tivemos uma reunião como gostamos, despojados de ideologias”, disse Lacalle Pou. No dia anterior, porém, ele, de centro-direita, disse que a defesa da democracia não cabe apenas à esquerda, após Lula e o argentino Alberto Fernández tecerem frequentes críticas ao campo ideológico oposto em suas falas. 

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“O Uruguai não pode perder muito tempo, por isso concluo que a reunião foi muito boa”, acrescentou. 

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A jornalistas o ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), que acompanhou Lula, disse que o objetivo da conversa foi mostrar que o Brasil quer que o Uruguai permaneça no Mercosul e que o país se beneficiou durante os dois primeiros mandatos de Lula no Planalto. “Queremos reequilibrar a balança buscando alternativas aos produtos uruguaios no Brasil. O presidente Lula está determinado a isso.” 

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Na chegada de Lula à residência oficial, havia apoiadores do lado de fora gritando seu nome, e outros bradando contra Lacalle Pou, chamando o uruguaio de “traidor da pátria”. Também ativistas contra a vacinação, que gritavam “Lula genocida” pelo fato de o brasileiro ser a favor da imunização contra a Covid. 

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Depois do encontro com o presidente, Lula seguiu para a Prefeitura de Montevidéu, liderada por Carolina Cosse, da Frente Ampla, aliança de esquerda. A prefeita entregou a ele o prêmio Mais Verde, um reconhecimento pela defesa que o petista faz do ambiente e do combate à emergência climática. 

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Ali, o petista comentou sobre a migração de brasileiros para o Uruguai. Dirigindo-se a essa comunidade, disse: “Se vocês vieram por causa de namorado ou para estudar, podem ficar. Mas, se vieram para cá para trabalhar, vamos fazer a economia [do Brasil] crescer, e vocês vão poder voltar”. 

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A nova gestão do Itamaraty, agora sob Lula, tem dito que, no campo da migração, tem como um dos objetivos centrais pensar em políticas para a comunidade brasileira que vive em outros países. 

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O último compromisso do petista no Uruguai foi uma visita ao ex-presidente José “Pepe” Mujica, também da Frente Ampla. “Quando viajo, não me preocupa quem é o presidente da República, se ele é de direita, esquerda ou de centro. A minha relação não é apenas com pessoas. Minha relação, como chefe de Estado brasileiro, é tratar com respeito todo chefe de Estado de nossa querida América Latina”, disse. 

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Ele foi até o sítio onde Mujica vive com a mulher, a ex-senadora Lucía Topolansky, e esteve com o casal por mais de duas horas -participaram da conversa também os ministros Fernando Haddad e Mauro Vieira. Segundo assessores, os políticos conversaram sobre temas gerais da América Latina e, ao abraçar Lula, Mujica ironizou o momento que o presidente brasileiro vive: “Em que bagunça você se meteu?”. 

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O ex-presidente uruguaio esteve na comitiva de Lacalle Pou para a posse do petista, no começo do mês.