Aos desavisados, parece uma espécie de jogo de tabuleiro comum, mas o Maha Lilah se trata de um mapa da consciência humana. Com mais de dois mil anos, este oráculo indiano é para seus adeptos uma ferramenta de terapia e autoconhecimento.
O termo Maha Lilah vem do sânscrito e pode ser traduzida como “O Grande Jogo” ou “A Grande Brincadeira Divina”. A dinâmica é composta por um tabuleiro de 72 casas, divididas em oito níveis.
Cada quadrado representa um estado de ser, um plano de consciência ou um desafio terreno, desde a raiva e o egoísmo até a iluminação e a liberação. O jogador caminha pelo tabuleiro após jogar dados.
“Não é um jogo de adivinhação, mas de autoconhecimento. É usado rotineiramente por uma parte dos indianos e se trata de uma ferramenta poderosa para indicar vias e transformar caminhos”, explica Debora Bueno, que promove sessões de Maha Lilah no Espaço Durga, na zona oeste de São Paulo, entre outras atividades.
Segundo ela, as flechas contidas no tabuleiro representam virtudes e momentos de clareza. Ao cair em uma flecha, o jogador “salta” para níveis mais elevados de consciência.
Jogo é composto por figuras de serpentes e espadas/DivulgaçãoJá as cobras simboliza os vícios, apegos e ilusões. Cair em uma cobra significa um “retrocesso”, obrigando o jogador a revisitar lições que ainda não foram totalmente integradas.
A psicologia por trás do dado
Embora o movimento no tabuleiro seja determinado pelo lançar de um dado, os praticantes defendem que o acaso é apenas uma fachada para a sincronicidade.
“O Maha Lilah funciona como um espelho da sua vida”, afirma Debora.
Diferente dos jogos modernos, no Maha Lilah não há “vencedores” no sentido convencional. O objetivo final é chegar à casa 68, da consciência cósmica No entanto, a verdadeira vitória está nas revelações e inspirações obtidas durante a jornada.
Se uma pessoa fica presa em um ciclo de cobras na zona da “Inveja” ou do “Ego”, por exemplo, o jogo está sugerindo que esse é o ponto de fricção na sua vida real.
É considerado melhor jogar o Maha Lilah com um especialista, mas é também possível, após algum estudo, realizar a prática com autonomia.
