SUS incorpora droga tafenoquina para tratamento de malária

Em 2021 foram diagnosticados 139 mil casos de malária no país, 80% deles causados por P. vivax

A pasta confirmou ainda que serão vacinadas crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, faixa etária que concentra maior número de hospitalizações por dengue

A incorporação ao SUS deve acontecer em até 180 dias | Marcello Casal/Agência Brasil

Pacientes de mais de 16 anos de todo o país terão acesso, pelo SUS (Sistema Único de Saúde), à droga tafenoquina, utilizada contra malária, especificamente no combate à forma causada pelo Plasmodium vivax. A grande vantagem é o uso em dose única.

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A portaria da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Complexo da Saúde do Ministério da Saúde sobre o tema foi publicada nesta terça (6) no Diário Oficial da União. A incorporação ao SUS deve acontecer em até 180 dias.

A droga comumente utilizada é a primaquina, administrada por sete dias consecutivos, período no qual há melhora dos sintomas (tais quais dor e febre) e, por causa disso, frequentemente abandono do tratamento, apesar de os parasitas permanecerem no organismo.

Assim, tratamentos incompletos são um entrave para o controle e eventual eliminação da malária no Brasil, possibilitando recaídas e novas transmissões.

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O uso da tafenoquina, porém, está condicionado à dosagem de uma enzima conhecida como G6PD (glicose-6-fosfato desidrogenase). Se os níveis de G6PD forem baixos, o tratamento com drogas da classe da tafenoquina e da primaquina pode gerar consequências como hemólise (destruição dos glóbulos vermelhos) e anemia severa. Cerca de 5% da população brasileira tem deficiência de G6PD.

O tratamento da fase aguda da malária inclui ainda a cloroquina, droga largamente utilizada, sem respaldo científico, na pandemia de Covid-19.

O P. vivax é responsável por uma manifestação relativamente mais branda da malária se comparado ao P. falciparum, principal causador de mortes pela parasitose no mundo. Ainda assim, o P. vivax é responsável por um grande sofrimento e prejuízo econômico e social à população brasileira, com concentração de casos na região amazônica, onde há maior transmissão dos parasitas por mosquitos anofelinos, os vetores da doença.

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Em 2021 foram diagnosticados 139 mil casos de malária no país, 80% deles causados por P. vivax.

Entre os estudos que embasaram a decisão de incorporação da droga está o Trust (de Tafenoquine Roll-oUt STudy), que busca cura radical da malária, a eliminação do parasita tanto do sangue quanto do fígado, com o uso da combinação entre tafenoquina e teste da G6PD.

O Trust foi copatrocinado pelo Ministério da Saúde e pela MMV (Medicines for Malaria Venture) e conduzido por pesquisadores, da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e do Centro de Pesquisa em Medicina Tropical de Rondônia (Cepem), respectivamente nos municípios de Manaus (AM) e Porto Velho (RO).

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“A incorporação desse novo tratamento no SUS é resultado de um longo processo de pesquisa que gerou evidências científicas robustas, que embasaram a decisão do Ministério da Saúde. Milhares de pacientes se beneficiaram desse tratamento na fase piloto, e agora a população das áreas endêmicas vai poder ter acesso a um tratamento seguro, em dose única. Essa incorporação representa um divisor de águas para melhorar a adesão ao tratamento, especialmente entre os mais vulneráveis”, afirma à reportagem Dhelio Pereira, médico do Cepem e um dos líderes do Trust.

Foram considerados pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde), ainda, um estudo qualitativo feito com pacientes e profissionais de saúde e uma análise de custo-efetividade e de impacto orçamentário.

“O Programa Nacional de Malária do Brasil está atualmente focado na eliminação da malária, uma meta ambiciosa para a qual a inovação é fundamental. A incorporação desta inovação ao Sistema Único de Saúde possibilitará aos pacientes com malária vivax um tratamento mais seguro e de menor duração, beneficiando especialmente a população que vive em áreas remotas da região amazônica”, afirma Ethel Maciel, secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Ministério da Saúde, em comunicado à imprensa.

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O teste diagnóstico da G6PD é fruto de uma parceria entre a ONG Path e a empresa coreana SD Biosensor. A tafenoquina, produzida pela farmacêutica GSK, teve desenvolvimento apoiado pela MMV, que tem suporte de governos e outras entidades, como o USAid e a Fundação Bill e Melinda Gates.