As plataformas de streaming receberam ontem, na última sexta-feira (21/8), o primeiro volume do projeto Chico 2.0. A iniciativa inovadora traz releituras de clássicos do compositor Chico Buarque sob a ótica de ritmos urbanos contemporâneos, como o rap, o trap e o funk.
Com 10 faixas inéditas, o álbum busca aproximar a poesia do artista paulistano da juventude e das periferias do País.
Parceria de peso e audição exclusiva no Rio
Para concretizar a ideia, a Central Única das Favelas (CUFA), a FRecords, a Tha House Company e a Universal Music Brasil uniram forças em uma parceria inédita. Na noite de quinta-feira (20/8), inclusive, os idealizadores realizaram uma audição exclusiva do álbum na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, com a presença de expoentes da cena atual e da MPB.
O trabalho conta com a direção musical de Alê Siqueira e Felipe Poeta em todas as faixas. Ao mesmo tempo, Celso Athayde, Fábio Almeida e Preto Zezé comandam a direção artística e a articulação cultural do projeto.
O repertório do álbum transita livremente entre o rap, trap, funk, R&B, soul e a nova MPB.
Clássicos censurados ganham a voz das ruas
A seleção das faixas passeia por composições que Chico Buarque escreveu entre as décadas de 1960 e 1970. Naquela época, o compositor enfrentava a forte censura do regime militar. Agora, uma nova geração de artistas traz frescor a essas obras de teor social.
Por exemplo, MC Cabelinho e Xênia França cantam juntos a emblemática “Cálice”.
Originalmente, Chico Buarque e Gilberto Gil compuseram a canção em 1973, mas os censores da ditadura civil-militar desligaram os microfones dos artistas durante o festival Phono 73.
Posteriormente, Milton Nascimento dividiu os vocais com Chico na gravação oficial de 1978.
Além disso, Dexter, Maurício Pazz e MC Livinho dividem a imponente “Construção”. Enquanto isso, MC Livinho interpreta solo a faixa “Pivete”, traçando uma conexão direta entre o repertório clássico e a periferia paulista.
Outras releituras de peso incluem Tasha & Tracie em “Deus Lhe Pague”, Grag Queen em “Geni e o Zepelim” e a dupla Júlia Mestre e TZ da Coronel em “João e Maria”.
Completam a lista as canções “Roda Viva” com Budah, “Meu Caro Amigo” com Bela Maria e “Olê, Olá” com Xênia França.
Encontro histórico com Chico e Milton Nascimento
O grande destaque do álbum, contudo, reside na nova versão de “O Que Será (À Flor da Terra)”. Os rappers Vandal e Don L assumem os microfones desta faixa, que conta com a participação histórica de Milton Nascimento e do próprio Chico Buarque.
O artista Vandal celebrou a emoção de colaborar com lendas da MPB e destacou o orgulho de fortalecer a ponte com os nomes do Nordeste no projeto.
Segundo Felipe Poeta, a produção conecta essas canções a dilemas sociais que ainda assolam o cotidiano brasileiro, como a desigualdade e a crítica social.
Autonomia periférica e sequência em outubro
A primeira parte do disco serve como um mapa de sonoridades urbanas que raramente se cruzam nas paradas. De acordo com Celso Athayde, fundador da CUFA, a iniciativa garante espaço, qualidade técnica e autonomia narrativa para os jovens artistas periféricos.
Desta forma, o projeto preserva a relevância histórica de Chico Buarque ao mesmo tempo em que renova a música popular brasileira.
Para a alegria dos fãs, a parceria lançará a segunda parte deste trabalho com novos nomes em outubro.
Músicas presentes no volume 1
- “Construção” — Dexter, Maurício Pazz, MC Livinho, Felipe Poeta;
- “O Que Será (À Flor da Terra)” — VANDAL, Don L, Felipe Poeta;
- “Olê, Olá” — Xênia França, Felipe Poeta;
- “Meu Caro Amigo” — Bela Maria, Felipe Poeta;
- “Pivete” — MC Livinho, Felipe Poeta;
- “Roda Viva” — BUDAH, Felipe Poeta;
- “João e Maria” — Júlia Mestre, TZ da Coronel, Felipe Poeta;
- “Deus Lhe Pague” — Tasha & Tracie, Felipe Poeta;
- “Cálice” — Xênia França, MC Cabelinho, Felipe Poeta;
- “Geni e o Zepelim” — Grag Queen, Felipe Poeta.
