O que você faz é branding ou teatro?

Entenda o que Lívia e Augusto ensinam sobre marketing de influência, autenticidade e conexão com o público nas redes sociais

Autenticidade virou produto de prateleira. E quem compra acha que ninguém nota. Foto: Magnific

Autenticidade virou produto de prateleira. E quem compra acha que ninguém nota.

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Bastidor espontâneo com três tomadas. Vulnerabilidade aprovada pelo jurídico. Emoção agendada para terça às 18h. O mercado aprendeu a interpretar a verdade, e o público aprendeu a desconfiar de tudo que parece verdadeiro demais. Quanto mais as marcas falam em propósito, menos alguém acredita nelas.

Enquanto isso, o perfil Augusto Irmão da Lívia passa de 1,3 milhão de seguidores sem slogan e sem manifesto. Vale olhar o que eles fazem, passo a passo.

Primeiro, o nome. Ele se apresenta como coadjuvante e entrega o protagonismo à irmã. Até o @acustoedivia parece dito pela voz dela.

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Segundo, a assinatura. “Bye Bye Honey, FUI” não soa como reunião de criação. Virou bordão, virou série, virou marca registrada na cabeça do público. Quando ele aparece, o seguidor completa a frase.

Terceiro, a rotina como pauta. Treino, viagem, acampamento, o cachorro, o dia comum. Não existe calendário de campanhas. Existe vida acontecendo, e por isso a frequência nunca falta. O seguidor entra na casa, não na vitrine.

Quarto, a narrativa longa. Os 18 anos da Lívia não foram um post. A preparação foi mostrada aos poucos, até a festa. O público não assistiu a um anúncio. Acompanhou uma história.

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Quinto, o protagonismo até no negócio. O link da bio leva o nome dela.

A estratégia acompanha a verdade, e não o contrário. Nada disso pode ser comprado, terceirizado ou copiado. É isso que incomoda. O teatro cobra caro. Exige produção cada vez maior para segurar a mesma atenção, porque o público sente o esforço.

A verdade faz o caminho inverso: acumula valor, porque cada peça confirma a anterior. Então a pergunta é cruel: se a sua empresa parasse de postar amanhã, alguém sentiria falta do que ela é, ou só do que ela diz?Se a resposta demorou, o problema não é de marketing. É de negócio. Nenhum calendário editorial salva quem não tem nada real para mostrar.

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Mas verdade não é licença para expor. Exige saber o que é público e o que é íntimo, e proteger quem tem menos controle sobre a própria imagem. Quem usa “verdade” como desculpa para explorar só trocou de figurino. O mercado vai continuar premiando o espetáculo. Por um tempo. Depois, cobra a conta.

A escolha é simples, não fácil: continuar ensaiando ou ter algo que não precise de ensaio.

Aléssia Saluára é fundadora da Alto Branding Experience e autora do livro Pare de Ser Tatu.