Quando alguém cancela o acompanhamento com um personal trainer porque o orçamento apertou, a política pode parecer distante daquela decisão. Mas ela também está ali. Está no custo de vida, nas condições de crédito, na renda que sobra depois do supermercado e do aluguel. Para quem trabalha com saúde e exercício, o debate sobre o futuro do país tem consequências muito concretas.
Neste domingo, 25 de outubro, voltamos às urnas para o segundo turno. Aos 41 anos, já vi promessas suficientes para perder aquela ilusão da adolescência de que surgirá um salvador da política capaz de resolver todos os nossos problemas. Continuo acreditando, porém, na importância de escolher bem, acompanhar e cobrar. A maturidade mudou minhas expectativas e aumentou meu senso de responsabilidade.
Minha forma de olhar para o mundo passa pela família, pela fé e pelos valores que procuro preservar nas minhas escolhas. Acredito no trabalho, no compromisso com a palavra e na liberdade de construir a própria trajetória. Também sei que o esforço individual encontra limites quando o ambiente ao redor dificulta cada passo. Quem empreende no Brasil conhece essa realidade.
No mercado fitness, existe espaço para levar exercício e orientação profissional a muito mais pessoas. Para transformar essa possibilidade em crescimento, alguém precisa investir: abrir uma academia, ampliar um estúdio, comprar equipamentos, contratar profissionais. São decisões que exigem planejamento e confiança no futuro.
Com juros elevados, esses projetos ficam mais caros. Uma expansão que poderia acontecer agora é adiada. O equipamento precisa esperar. A contratação também. Por trás de cada investimento que não sai do papel, há oportunidades de trabalho e de atendimento que deixam de existir.
É por isso que as contas públicas precisam fazer parte dessa conversa. A preocupação com a trajetória da dívida, a qualidade do gasto e a capacidade de o país cumprir seus compromissos influencia a confiança na economia. Os juros têm várias causas, incluindo a necessidade de controlar a inflação, mas a responsabilidade fiscal ajuda a construir condições para um crescimento mais sustentável. Esse assunto chega à prestação de quem empreende e ao orçamento de quem consome.
Na outra ponta está o aluno. Quando as contas apertam, alimentação, moradia e despesas básicas vêm primeiro. O acompanhamento individual, por ser um gasto que pode ser suspenso, entra na lista de cortes. A família faz a escolha possível naquele momento, mesmo reconhecendo o valor daquele serviço.
Não cabe julgar quem precisa reorganizar o orçamento. Cabe perceber o problema: o cuidado com o corpo continua sendo tratado, muitas vezes, como algo que só pode existir quando sobra dinheiro. Precisamos ampliar as condições para que a atividade física caiba na vida das pessoas, com diferentes formatos e possibilidades de acesso. O crescimento do nosso setor ganha sentido quando alcança também quem hoje fica de fora.
Essa discussão exige mais de nós do que uma manifestação a cada eleição. Nas redes sociais, existe uma cobrança para que atletas e influenciadores declarem suas posições. Uma opinião pode aproximar seguidores e afastar outros. Entendo essa expectativa, mas acredito que se posicionar exige disposição para explicar o que se defende e respeitar quem discorda.
Tenho minhas convicções. Elas orientam meu voto e a maneira como avalio quem deseja governar. Quero responsabilidade com o dinheiro público, respeito às famílias, liberdade para trabalhar e um ambiente em que empreender seja uma possibilidade real. Espero também seriedade com os serviços públicos dos quais tanta gente depende.
O esporte me ensinou a desconfiar de resultados extraordinários prometidos sem esforço, método e constância. Na vida pública, também precisamos olhar além do discurso: observar escolhas, prioridades e consequências.
Neste domingo, meu voto carrega os valores em que acredito e a preocupação com o país em que vamos continuar vivendo na segunda-feira. Um país onde abrir um negócio, contratar um profissional e cuidar da própria saúde possam fazer parte de um planejamento possível. É com essa expectativa, sem esperar salvadores e sem abrir mão de cobrar, que olho para esta eleição.
Antes de votar, convido você a fazer essa reflexão também. Que futuro deseja para sua família? Quais propostas oferecem caminhos consistentes para chegar até ele? Tenha cuidado com as velhas promessas que se repetem a cada eleição e nunca se cumprem.
O mundo muda, a tecnologia transforma a maneira como vivemos e trabalhamos, e os desafios de hoje exigem respostas que acompanhem essas mudanças. Preservar nossos valores também é saber aprender, rever escolhas e reconhecer quando é hora de mudar de caminho.
Neste domingo, participe. Vote com consciência e responsabilidade, pensando no futuro que deseja ajudar a construir. E continue acompanhando e cobrando: nosso compromisso com o país precisa durar mais do que o dia da eleição.
