Pescoço, tamanho e plumagem ajudam a revelar diferenças entre pombos e rolinhas; entenda as doenças que eles podem transmitir

Tamanho, cores e marcas no pescoço distinguem espécies; dejetos secos podem favorecer a exposição a agentes infecciosos. 

Fotografia de um pombo urbano na Polônia. A opção mais direta para representar o tema. (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

Pombos e rolinhas estão por toda parte. Eles ocupam praças, telhados, jardins e calçadas, dividindo espaço com moradores das grandes cidades. Apesar da convivência frequente, muitas pessoas ainda têm dificuldade para distinguir essas aves, que apresentam diferenças no tamanho, na plumagem e até no formato do pescoço.

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Embora pertençam à mesma família, pombos e rolinhas possuem características físicas que ajudam na identificação. Algumas espécies apresentam uma faixa escura na nuca, enquanto outras são reconhecidas pelo corpo robusto e pelos reflexos coloridos nas penas.

Além das diferenças na aparência, existe uma preocupação relacionada à saúde. O acúmulo de fezes dessas aves pode favorecer a exposição a fungos e bactérias capazes de provocar doenças, principalmente quando os resíduos secam e suas partículas são inaladas.

Diferenças entre pombos e rolinhas

Os pombos e as rolinhas pertencem à família Columbidae, que reúne aproximadamente 350 espécies. Essas aves compartilham características como asas arredondadas e alimentação baseada principalmente em sementes e frutos.

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O pombo mais conhecido das cidades é o Columba livia, também chamado de pombo-doméstico ou pombo-comum. Ele possui corpo robusto, cabeça pequena e pescoço relativamente grosso, além de apresentar comprimento entre 25 e 35 centímetros.

Seu peso costuma variar de 240 a 380 gramas, enquanto a envergadura das asas pode alcançar 70 centímetros.

A plumagem geralmente é acinzentada, com reflexos verdes e violetas no pescoço. O bico escuro e as patas avermelhadas também são características frequentes.

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Já as rolinhas, dependendo da espécie, apresentam corpo mais delicado, bico fino e aparência menos robusta. Algumas tórtolas europeias medem entre 24 e 33 centímetros e possuem envergadura de 45 a 55 centímetros.

Apesar das diferenças, os nomes populares nem sempre correspondem a grupos científicos separados.

Essas espécies também fazem parte das relações ecológicas dos ambientes onde vivem. A alimentação e a capacidade de deslocamento ajudam a explicar a importância das aves para o equilíbrio ambiental.

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Marca no pescoço ajuda na identificação

Uma das características mais marcantes de determinadas rolinhas é a presença de uma faixa escura na parte posterior do pescoço.

A espécie Streptopelia decaocto, conhecida como rola-turca, apresenta uma faixa preta contornada por branco, semelhante a um pequeno colar.

Essa ave também possui plumagem em tons de cinza e rosa, bico escuro e olhos com íris avermelhada. Seu comprimento varia entre 30 e 33 centímetros.

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A marca, entretanto, não está presente em todas as rolinhas. Por isso, observar o formato do corpo, as cores das penas e o tamanho pode ajudar a reconhecer as espécies.

Outra confusão comum envolve os pombos brancos, frequentemente associados à paz.

A plumagem branca não representa, necessariamente, uma espécie diferente ou um caso de albinismo. Muitas dessas aves são variedades domésticas de pombos ou exemplares que apresentam alterações na pigmentação das penas.

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Doenças associadas aos pombos

A presença dessas aves nos centros urbanos também desperta preocupações sanitárias, especialmente em locais com grande concentração de excrementos.

Uma das doenças associadas a aves infectadas é a psitacose, infecção provocada pela bactéria Chlamydia psittaci.

Segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), a transmissão ocorre principalmente pela inalação de partículas contaminadas provenientes de secreções respiratórias, penas ou fezes secas.

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Os sintomas podem surgir entre cinco e 14 dias após a exposição e incluem febre, calafrios, dores musculares, dor de cabeça e tosse seca.

A psitacose pode ser tratada com antibióticos específicos, especialmente quando o diagnóstico ocorre precocemente.

A preocupação com a presença dessas aves em áreas urbanas já motivou iniciativas de controle. Em São Caetano do Sul, no ABC Paulista, um projeto de afastamento de pombos em prédios públicos foi anunciado em 2024, com foco na manutenção das condições sanitárias dos imóveis.

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Fungos presentes nas fezes

Além das bactérias, o acúmulo de excrementos pode criar condições favoráveis à presença de fungos associados a doenças respiratórias.

Entre eles está o Cryptococcus neoformans, responsável pela criptococose, infecção adquirida principalmente pela inalação de partículas do fungo presentes no ambiente.

Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), a maioria das pessoas expostas não desenvolve a doença.

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Entretanto, pessoas com o sistema imunológico comprometido apresentam maior risco de complicações. Em situações graves, a infecção pode atingir os pulmões e o sistema nervoso central, provocando meningite.

Outra doença relacionada a ambientes contaminados é a histoplasmose, causada pelo fungo Histoplasma.

Nesse caso, a exposição ocorre quando partículas presentes no ambiente são levantadas e inaladas. O risco aumenta durante a movimentação de materiais contaminados, especialmente em locais com acúmulo de resíduos orgânicos.

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As aves não abrigam esse fungo no organismo, mas os excrementos acumulados podem contribuir para condições ambientais associadas à sua presença.

Como reduzir os riscos

A presença de um pombo ou de uma rolinha não significa, por si só, perigo à saúde. O principal cuidado está relacionado ao contato com materiais potencialmente contaminados, especialmente em ambientes onde as fezes permanecem acumuladas por muito tempo.

Telhados, sacadas, forros e estruturas que favorecem a permanência dessas aves merecem atenção.

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Também é necessário evitar procedimentos que espalhem poeira de excrementos secos, pois a inalação dessas partículas pode aumentar a exposição a agentes infecciosos.

Entre as estratégias discutidas para lidar com a presença dessas aves estão barreiras físicas e alternativas para afastar pombos das residências, embora a eficácia das diferentes soluções dependa das condições do ambiente.

O manejo também precisa considerar o bem-estar dos animais e os possíveis efeitos sobre outras espécies.

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Reconhecer as diferenças entre pombos e rolinhas ajuda a compreender melhor as aves que circulam pelas cidades. Já os cuidados com os locais onde elas permanecem são fundamentais para reduzir a exposição a resíduos contaminados sem comprometer a convivência com a fauna urbana.