Fórum Econômico Mundial e um novo cenário

Pela primeira vez, uma delegação latino-americana de liderança feminina esteve organizada, estruturada e presente em debates paralelos ao Fórum Econômico Mundial

Fórum Econômico Mundial e um novo cenário

Fórum Econômico Mundial e um novo cenário | Divulgação

Durante anos, o Fórum Econômico Mundial foi retratado como um espaço predominantemente masculino, distante da diversidade real que hoje molda a economia global. Em Davos 2026, trouxemos outro cenário.

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Pela primeira vez, uma delegação latino-americana de liderança feminina esteve organizada, estruturada e presente em debates paralelos ao Fórum Econômico Mundial. A iniciativa foi liderada pela Plataforma Mulheres Inspiradoras e assinada pelo Banco da Amazônia, levando ao centro das discussões globais mulheres que já ocupam posições estratégicas em negócios, finanças, inovação e governança.

Nos palcos oficiais, temas como inteligência artificial, transição energética, conflitos geopolíticos e crescimento econômico dominaram a agenda. Ursula von der Leyen foi direta ao afirmar que a competitividade global dependerá da capacidade dos países de alinhar crescimento econômico com coesão social e sustentabilidade, destacando que não há transição verde possível sem pessoas no centro das decisões.

Já Yuval Noah Harari trouxe um alerta contundente ao afirmar que a inteligência artificial não é apenas uma ferramenta, mas uma força capaz de reconfigurar sistemas inteiros de poder, trabalho e governança. Segundo ele, o grande risco não está apenas na tecnologia em si, mas em quem controla suas decisões e com quais valores.

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Foi exatamente nesse ponto que os debates do Mulheres Inspiradoras se aprofundaram.

No painel “Women in Power: Leadership, Capital and Global Influence”, líderes como Luana Ozemela, vice-presidente do iFood, reforçaram que sustentabilidade deixou de ser discurso e passou a ser critério de gestão. Para ela, empresas de escala só avançam quando impacto social, diversidade e governança fazem parte do core do negócio, com métricas claras e responsabilização real.

Do ponto de vista financeiro, Fábio, CFO do Banco da Amazônia, trouxe uma leitura estratégica sobre o papel da região no cenário global. A Amazônia deixou de ser apenas pauta ambiental e passou a ocupar espaço central nas discussões sobre capital, risco e desenvolvimento de longo prazo. Instrumentos financeiros voltados a mulheres ribeirinhas, quilombolas e indígenas, aliados a programas estruturados de desenvolvimento, mostram que inclusão e performance econômica não são agendas opostas.

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A perspectiva internacional veio com Ruby Sinha, presidente do BRICS CCI na Índia, que destacou como Brasil e Índia compartilham desafios semelhantes no empreendedorismo feminino. Em ambos os países, mulheres constroem negócios resilientes, conectados às comunidades e com forte impacto social, mesmo com acesso desigual a capital. Para ela, o avanço global passa pela conexão entre esses ecossistemas do Sul Global e os centros de decisão internacionais.

No encerramento, Ana Domingues, CEO da FleishmanHillard Brasil, e Ruth Helena Lima, CMO do Banco da Amazônia, ampliaram a discussão para narrativa, reputação e responsabilidade institucional. Ruth ressaltou que a sustentabilidade só se consolida quando instituições financeiras assumem compromissos de longo prazo com desenvolvimento regional, especialmente na Amazônia, indo além de iniciativas pontuais.

O que Davos mostrou este ano é que o futuro do trabalho e da economia passa menos por cargos e mais por sistemas de decisão. Passa por quem governa com visão de longo prazo, constrói confiança e transforma impacto social em estratégia de negócio.

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A presença da primeira delegação latino-americana de liderança feminina revelou algo importante: mulheres da região já operam no centro das transformações globais. A diferença é que agora fazem isso de forma organizada, com voz própria e estratégia.

Geovana Quadros é fundadora da Plataforma Mulheres Inspiradoras (Pioneira em Clevel na América Latina).