Caso Samuel x cadastro nacional e a posição do estado de SP

O mais angustiante de toda a dolorosa narrativa é que a família levou sete anos buscando por respostas, que o Estado já tinha

O policial, que se preocupa em "prender bandido", não sabe acolher o parente desesperado que chega à Delegacia, e em geral age com preconceito

O policial, que se preocupa em "prender bandido", não sabe acolher o parente desesperado que chega à Delegacia, e em geral age com preconceito | Divulgação/Pixabay

Recentemente, a Gazeta de São Paulo, em sensível matéria do jornalista Bruno Hoffman, publicou a entrevista com o Sr. Sandro Andrade, pai de Samuel Gustavo de Andrade, desaparecido aos 19 anos em 2017 e encontrado sepultado como indigente em junho de 2025.

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O mais angustiante de toda a dolorosa narrativa é que a família levou SETE anos (!) buscando por respostas, que o Estado já tinha. 

No mesmo dia que Samuel não voltou para casa seu pai registrou seu desaparecimento. O enterro foi realizado cinco dias após, quando o corpo foi encontrado, em adiantado estado de decomposição, no Rio Pinheiros, nas proximidades da Avenida Guido Caloi, no Grajaú; tendo sido identificada a causa mortis como “asfixia mecânica por afogamento”.

O depoimento do pai de Samuel evidencia o total despreparo da força policial para casos de desaparecimento.

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O policial, que se preocupa em “prender bandido”, não sabe acolher o parente desesperado que chega à Delegacia, e em geral age com preconceito, não raro atribuindo à vítima desaparecida a culpa pelo próprio sumiço, supondo que estaria envolvida com crimes ou antecipando uma imaginária “fuga” voluntária por motivos que nem a própria família concebe. 

Mudanças nas equipes, falta de intercâmbio de informações, ausência de centralização de dados, e até mesmo esperar que o familiar emocionalmente abalado é quem forneça dados ou informações para a investigação, são alguns dos (inacreditáveis) obstáculos que um familiar enfrenta ao buscar pelo seu ente desaparecido.
Empatia? Palavra inaplicável aos casos de desaparecimento.

Para o Sr. Sandro, após anos de buscas, e até mesmo um encontro pessoal com Ministro da Pasta de Direitos Humanos é que um novo investigador foi incumbido de revirar os dados para ao final, obter a confirmação de algo que o Estado já tinha em mãos, mas não cumpriu seu papel a contento.

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Após muita pressão e  ações coletivas de familiares, foi criado o Cadastro Nacional de Pessoas Desaparecidas em 2019, sistema que pretende reunir e integrar as informações mais importantes para localização de pessoas (boletins de ocorrência, características físicas, datas, problemas de saúde, registros de entrada em IMLs…) mas o Cadastro depende da alimentação de dados pelas Secretarias de Segurança dos Estados, e esse processo tem sido lento, fazendo com que os familiares se perguntem até que ponto os Governos dos Estados estão sendo colaborativos e conscientes da gravidade do problema.

O Estado de São Paulo em especial, que tem 1 em cada 4 pessoas desaparecidas no país, não tem demonstrado eficiência de igual proporção na geração de dados para o Cadastro Nacional.

Nossa demanda, como familiares, é para que não tenhamos todos que esperar os mesmos sete anos ou mais de dor e incerteza, ao contrário, queremos ter a possibilidade de encontrarmos nossos entes desaparecidos, ainda vivos, do que dependemos da atuação humanizada e eficaz de nossos Governos Estaduais.