Antes dos gráficos hiper-realistas, das partidas online e das bibliotecas digitais, a diversão começava na locadora.
Era ali que crianças e adolescentes escolhiam um cartucho para passar o fim de semana, disputavam partidas entre amigos e descobriam mundos que pareciam gigantes diante da televisão de tubo.
Em 29 de setembro de 1996, o Nintendo 64 chegou ao mercado norte-americano e também foi anunciado para o Brasil. Três décadas depois, o console continua associado a uma das épocas mais nostálgicas da história dos videogames.
O salto para o mundo 3D
O grande diferencial estava justamente no que o nome já entregava: 64 bits e uma aposta definitiva nos ambientes tridimensionais.
O controle também chamava atenção. Com seu formato diferente e o direcional analógico, permitia movimentos em várias direções e ajudava a explorar espaços que iam muito além das fases lineares dos consoles anteriores.
O primeiro grande cartão de visitas foi Super Mario 64, lançado junto do aparelho. A Nintendo o apresenta como um marco da série, colocando Mario pela primeira vez em uma aventura principal totalmente tridimensional.
Quando a locadora virava ponto de encontro
No Brasil, entretanto, a experiência não acontecia apenas dentro de casa. As locadoras eram parte da cultura dos videogames nos anos 1990. Jogadores alugavam consoles e cartuchos, testavam lançamentos e aproveitavam algumas horas para experimentar títulos que dificilmente teriam em casa.
O Nintendo 64 se encaixava perfeitamente nesse ambiente. Afinal, seu console permitia conectar até quatro controles, recurso que transformava a sala da locadora em palco para disputas entre amigos.
Mario Kart, GoldenEye e tardes que pareciam não acabar
Foi assim que jogos como Mario Kart 64 ganharam espaço na memória de uma geração.
A fórmula era simples: quatro jogadores, uma televisão e muita provocação entre uma corrida e outra.
GoldenEye 007 levou a mesma experiência para os confrontos de tiro em primeira pessoa, enquanto The Legend of Zelda: Ocarina of Time mostrou que o 3D também poderia criar aventuras enormes e imersivas.
O jogo chegou ao Nintendo 64 em 1998, depois de um desenvolvimento que a própria Nintendo descreveu como longo para os padrões da época.
Uma viagem de volta aos anos 1990
Trinta anos depois, o Nintendo 64 deixou de ser apenas um console antigo e virou símbolo de uma época.
Para quem viveu aquele período, lembrar do aparelho também significa recordar as locadoras, os cartuchos, os controles espalhados pela sala e a ansiedade para descobrir qual jogo seria alugado naquele fim de semana.
A tecnologia avançou. Os gráficos mudaram. As partidas ganharam a internet.
Mas basta ouvir o nome Nintendo 64 para muita gente voltar, por alguns segundos, àquela televisão de tubo e à tarde que parecia não ter hora para acabar.












