O banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, negou nesta quarta-feira (30/9) em depoimento à Polícia Federal que tentou fugir do País quando foi preso pela primeira vez e também disse que não ordenou agressões contra “adversários”.
Vorcaro foi ouvido pela PF no inquérito que apura suspeitas de atos ilícitos cometidos por meio de um grupo comandado por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o Sicário, como ameaças e agressões a desafetos, acesso indevido a investigações sigilosas e obstrução de Justiça.
No depoimento, o empresário afirmou que conhecia apenas a pessoa de Luiz Phillipi, com quem tinha contrato formal e lícito de prestação de serviços de inteligência e segurança digital.
“O investigado jamais praticou, determinou ou se envolveu em qualquer ato de violência, intimidação, perseguição ou ameaça contra quem quer que seja, fato que é reconhecido nos autos pelos próprios investigadores e pelas testemunhas já ouvidas”, afirmou nota divulgada pela defesa de Vorcaro representada pelos advogados Sergio Leonardo e Daniel Bialski.
“A Turma”
Investigações conduzidas pela Polícia Federal revelam que o esquema investigado operava com uma divisão de funções altamente estruturada, dividida em núcleos operacional, tecnológico e de gestão financeira.
De acordo com os relatórios da corporação, a engrenagem criminosa contava com células especializadas para diferentes frentes de atuação:
- “A Turma” (Braço Operacional): focada em ações de campo, o grupo realizava diligências presenciais, ameaças, coerções, levantamentos clandestinos e vigilância física. A estrutura era gerenciada por Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão e contava com a liderança operacional do policial federal aposentado Marilson Roseno da Silva.
- “Os Meninos” (Braço Tecnológico): tratava-se de uma célula hacker especializada contratada com remunerações estimadas em R$ 75 mil mensais. O grupo era encarregado de desferir ataques cibernéticos, invadir dispositivos, realizar interceptações telemáticas e derrubar perfis em redes sociais. As apurações indicam que os integrantes chegaram a burlar a segurança para acessar de forma clandestina sistemas internos da própria Polícia Federal, do Ministério Público Federal e da Interpol, repassando informações sigilosas.
- Gestão financeira: o financiamento das atividades e o gerenciamento dos repasses aos envolvidos ficavam sob a responsabilidade de Henrique Moura Vorcaro, apontado pelas autoridades como peça central na sustentação econômica da estrutura.
Articulação de violência física
As apurações sugerem que a rede delituosa sustentava um aparato de espionagem e pressão focado na extração ilegal de dados confidenciais e na desestabilização de críticos.
Um dos casos mais graves envolve o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”. Registros de mensagens expõem um plano para simular um roubo contra o profissional, com a orientação explícita de desferir agressões físicas severas como forma de vingança pelas publicações sobre o banco.
