O que mais falta para treinadores do futebol brasileiro terem chance na Europa?

Um jogador em grande fase é comprado por um time na Europa, mas um treinador que ganha quase tudo que disputa não tem a mesma oportunidade

Duas Libertadores, Copa do Brasil, três Paulistas, dois Brasileiros e mais; Abel Ferreira é multicampeão pelo Palmeiras

Duas Libertadores, Copa do Brasil, três Paulistas, dois Brasileiros e mais; Abel Ferreira é multicampeão pelo Palmeiras | Cesar Greco/Palmeiras

Quando jogadores se destacam em território brasileiro, o mercado europeu envia ofertas de altos valores para levá-los para lá.
Valores que não são tão altos como os de transações entre dois times da Europa. 

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Mas, quando é um treinador supervitorioso, o movimento não é o mesmo. O exemplo da vez é Abel Ferreira, técnico do Palmeiras.

Duas Libertadores, Copa do Brasil, três Paulistas, dois Brasileiros e mais. Foram 10 taças desde que chegou, e mesmo assim, nada de oferta europeia.

Apenas dois exemplos de técnicos com sucesso no Brasil tiveram a chance: Felipão, pelo Chelsea e seleção portuguesa e Luxemburgo pelo Real Madrid.

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Nas duas vezes os clubes (Chelsea e Real Madrid) sabotaram os comandantes com problemas internos e ausência de reforços pedidos. Já pela seleção portuguesa, Felipão é considerado um dos maiores tecnicos da história.

A diferença para Abel é de que ele é português, ou seja, já é europeu, e mesmo assim as ofertas sequer parecem perto de surgir. Mesmo com todos concordando que o Brasil seja a liga mais forte das Américas, ainda assim não é o bastante para o treinador que tudo vence ser cobiçado em uma grande equipe do Velho Continente.

Um atacante promissor ou um zagueiro habilidoso logo recebem a oferta de milhões de euros, mas um treinador é visto com desconfiança. Até mesmo Gallardo, que fez sucesso na Argentina, esperou e esperou uma oferta europeia, e nada apareceu.

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É natural que um jogador que atue no Brasil, por melhor que seja, jamais será cogitado como um dos melhores do mundo. Mas é o suficiente para credenciá-lo a atuar na Europa. Com treinador, contudo, aparentemente isso não se aplica. 

Jorge Jesus teve passagem pelo Benfica após deixar o Flamengo, mas já era conhecido pela torcida dos encarnados.
Dorival assumiu a seleção após vencer duas Copas do Brasil seguidas e uma Libertadores, mas é visto com desconfiança por não ser o europeu tão aguardado.

Tite é outro caso que entra no debate. Fez um trabalho brilhante frente à seleção brasileira. Sobrou nas Eliminatórias de 2018 e 2022, ganhou uma Copa América e foi vice de outra, e chegou como favorito nos dois Mundiais (que não ganhou, é verdade).

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Ainda assim, Tite ficou um tempo desempregado e não houve nenhuma oferta de um time europeu de ponta. Voltou ao Brasil para o Flamengo e já faz mais um grande trabalho.

Podemos não estar na melhor safra de treinadores, é verdade, mas um profissional de um time mediano para ruim de uma liga europeia ou destaque de uma liga de segundo escalão é bom o bastante para treinar no Brasil, já o contrário…

O curioso é somente que, seja um jovem treinador de sucesso ou um medalhão já experiente, os técnicos do futebol brasileiro e até latino-americano, principalmente no passado recente, estão sendo pouco valorizados por lá.