2020 de olho em 2022

Ao contrário das eleições de 2018, o pleito municipal deve mostrar novamente a força dos partidos denominados do centrão

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Com a união DEM e PSL, está por ser criado o maior partido de centro já visto nos últimos anos | Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

As eleições municipais têm papel fundamental no cenário político do País. Não só os prefeitos eleitos ganham poder de barganha com o governo federal, como os partidos, principalmente os que levam as capitais, podem negociar cargos e até ministérios.

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Essas negociações, ou a chamada velha política – a qual o presidente Jair Bolsonaro sempre se disse contra –, faz parte do jogo democrático, e segundo analistas, podem promover até mudanças nos ministérios.

Isso porque, ao contrário das eleições de 2018, quando se viu a alavancada dos partidos considerados de direita, como o PSL, o pleito municipal deve mostrar novamente a força dos partidos denominados do centrão. Para endossar esse quadro temos o presidente da república, Jair Bolsonaro, sem partido fazendo o PSL perder força, sem contar o desgaste de outras siglas como PT, MDB e até o PSDB.

Nas eleições municipais de 2016, o PSL fez 0,5% dos prefeitos e, em 2018, 10,5% da Câmara. Porém essa onda direitista deve ser freada com o partido tendo menos expressão e não contando mais com apoio maciço dos bolsonaristas. Exemplo claro foi o desempenho de Joice Hasselmann na maior capital do País. Nas últimas pesquisas divulgadas antes das eleições, a candidata do PSL a prefeita de São Paulo aparecia com cerca de 3% das intenções de voto.

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Outra decepção para os simpatizantes da direita foi o candidato do Republicanos, Celso Russomano, que começou liderando as pesquisas e, mesmo com o apoio de Bolsonaro, segundo Datafolha corria o risco de não ir para o segundo turno.

As prefeituras, assim como os estados, precisam se articular com deputados e senadores para receberem verbas para tocarem obras e implementar políticas públicas essenciais para os moradores. Nem sempre quando se fala em barganha e negociação o termo deve ser visto com repugnância. Principalmente nas capitais, o apoio a um candidato e sua relação com as outras esferas do governo devem ser avaliadas na hora do voto.

As eleições municipais, principalmente nas capitais, têm peso até nas de 2022, quando se elege presidente e governadores. Bolsonaro e todos os governadores, principalmente Doria, estão de olho nos eleitos deste ano para decidirem estratégias para daqui dois anos. Votar neste domingo é o momento de eleger prefeito e vereador, mas é também para decidir o que se quer para o Brasil daqui a dois anos.