Uma pesquisa encomendada pela Abecs ao Datafolha mostra que 26% dos brasileiros com cartão já pagam suas contas aproximando o celular da maquininha no comércio.
O levantamento mostra, porém, que essa mudança de hábito avança em ritmos diferentes no País, dependendo diretamente da idade, da renda e do nível de instrução de cada consumidor.
A força dos jovens e a unificação das contas
O motor dessa mudança está concentrado na população jovem. Quase metade dos consumidores de 25 a 34 anos (47%) e de 18 a 24 anos (46%) já aposentou o plástico nas compras diárias.
Esse movimento ganhou tração com a chegada de plataformas como Apple Pay, Google Pay e Samsung Wallet, além da adesão veloz dos grandes bancos e fintechs. Hoje, o usuário consegue reunir cartões de crédito, débito e até o Pix em um só aplicativo, sem precisar carregar nada além do próprio telefone.
Tecnologia instalada, mas nem sempre usada
O estudo traz um detalhe curioso sobre o comportamento do brasileiro: um em cada três portadores de cartão (33%) já tem uma carteira digital configurada no smartphone.
Na prática, isso significa que existe uma parcela considerável de pessoas que fez o cadastro no aplicativo, mas continua sacando o cartão na hora de passar no caixa, seja por receio com a segurança do aparelho, hábito ou simples falta de costume dos estabelecimentos locais.
O abismo da terceira idade
Se entre os jovens o celular reina absoluto, a história muda drasticamente conforme a idade avança. O levantamento escancara uma barreira clara de inclusão digital entre os mais velhos:
- 35 a 44 anos: 28% usam a ferramenta com frequência.
- 45 a 59 anos: A adesão cai para 17%.
- 60 anos ou mais: Apenas 3% adotaram o pagamento pelo celular.
Para a população idosa, a migração para o ambiente digital ainda esbarra na falta de familiaridade com os aplicativos e no medo de golpes virtuais, mantendo esse público atrelado aos métodos tradicionais.
Renda e instrução ditam o acesso
Além do fator etário, a desigualdade social é o filtro mais pesado para a expansão dessa tecnologia no país. A diferença de uso entre os extremos de escolaridade chega a quase cinco vezes:
- Escolaridade: o recurso é utilizado por 43% de quem tem ensino superior, contra apenas 9% das pessoas com ensino fundamental.
- Classe social: o índice alcança 41% nas classes A e B, mas despenca para 24% na classe C e apenas 12% nas classes D e E.
- Região: o Sudeste (30%) e o Sul (29%) concentram os maiores índices de uso diário, enquanto o Norte fica na lanterna, com 15%. Nas metrópoles, a média é de 29%, superando os 25% registrados no interior.
