Povo votará futuro do Minhocão

A escolha popular em questões fundamentais costuma ser mais importante do que a decisão de meia dúzia de pessoas em um gabinete

Elevado João Goulart, conhecido como Minhocão, une a zona oeste ao centro da Capital; eleitores podem escolher futuro do local

Elevado João Goulart, conhecido como Minhocão, une a zona oeste ao centro da Capital; eleitores podem escolher futuro do local | /Carlos Severo/ Fotos Públicas

O Minhocão deve chegar ao fim como o conhecemos. A Câmara Municipal de São Paulo aprovou nesta semana um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) que prevê a realização de um plebiscito para a população decidir sobre o destino do Elevado João Goulart, que corta os distritos da Consolação, Santa Cecília, Perdizes e Barra Funda em uma extensão de 3,4 quilômetros.

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Projetado pelo ex-prefeito Paulo Maluf, o Elevado foi inaugurado em 1971 como uma marca da sua gestão. Apesar da feiúra, o trambolho cumpriu um papel fundamental na mobilidade em uma época em que as linhas de ônibus cobriam menos a cidade e não havia ainda o Metrô como funciona hoje.

Para os bairros cortados pelo cimento, porém, o preço foi alto. Houve uma óbvia e imediata desvalorização dos imóveis do entorno. A região deixou de ser conhecida pela elegância para se tornar um cenário de degradação e buzinaço diário. Os preços dos imóveis logo despencaram.

O projeto do vereador Caio Miranda Carneiro (DEM) dá três opções para o futuro da estrutura: a construção de um parque total, a de um parque parcial ou o desmonte do viaduto, com a readequação de praças e avenidas.

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A polêmica, claro, já se iniciou entre a população. Há uma parte relevante dos moradores da cidade que quer a manutenção do Minhocão para automóveis, mas isso não deve acontecer. O Plano Diretor Estratégico de 2014 determina que a circulação de carros sob a estrutura seja desativada até 2029.

Entre as opções previstas em lei, há os que defendam a criação de um parque suspenso, algo que o Minhocão já é na prática aos fins de semana. Existem ainda os que desejam o desmonte completo do viaduto, com a readequação das avenidas abaixo. Essa opção causaria um impacto gigante na região, com a imediata valorização dos imóveis.

Nesse cenário, é preciso se atentar para que isso não sirva para expulsar os moradores de baixa renda do local, que não aguentaram barulho e poluição por décadas para, simplesmente, serem expulsos do local pela construção de qualquer empreendimento imobiliário com nome em inglês.

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Em 1985, os eleitores da Capital foram às urnas para decidir se Santo Amaro continuaria a ser parte da cidade. Trinta e cinco anos depois podemos ter um novo plebiscito. É muito saudável que os eleitores sejam convocados para decidir o futuro da cidade. A escolha popular em questões fundamentais costuma ser mais importante do que a decisão de meia dúzia de pessoas em um gabinete.