Igreja de 1,7 mil anos que estava submersa pode desvendar um dos maiores mistérios do cristianismo

Queda no nível da água revelou novas estruturas arquitetônicas escondidas sob basílica submersa

Igreja submersa na Turquia (Foto_ Reprodução Instagram_@arkeolojihaber)

Especialistas debatem se o templo realmente abrigou o histórico encontro cristão promovido pelo imperador Constantino (Foto_ Reprodução Instagram_@arkeolojihaber)

Uma igreja com cerca de 1,7 mil anos pode ajudar a esclarecer onde ocorreu uma das reuniões que mais influenciaram a história do cristianismo. Os vestígios foram encontrados sob uma basílica submersa no Lago İznik, na Turquia, antiga Niceia.

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A construção já era conhecida pelos arqueólogos desde 2014, mas voltou a chamar atenção agora porque o nível da água do lago baixou. Fotografias feitas em julho de 2026 registraram com mais clareza as estruturas que estavam escondidas sob a água.

A construção pode estar relacionada ao Primeiro Concílio de Niceia, realizado em 325 d.C. A identificação, porém, ainda é discutida por especialistas que não participaram das escavações.

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O que foi o Primeiro Concílio de Niceia

O encontro aconteceu durante o Império Romano, quando o cristianismo começava a ganhar espaço após ter sido legalizado pelo imperador Constantino I.

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Bispos de diferentes regiões foram reunidos para resolver conflitos sobre os ensinamentos cristãos.

Uma das principais discussões envolvia o arianismo, que defendia que Jesus havia sido criado por Deus e, portanto, não possuía a mesma natureza divina do Pai.

Os participantes rejeitaram essa ideia e formularam a base do Credo Niceno, que define a Santíssima Trindade, conhecida como uma única essência espiritual.

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O texto ainda ajudou a estabelecer a data da Páscoa, que seria celebrada no primeiro domingo após a primeira lua cheia da primavera, separando o cálculo da tradição judaica.

Além disso, foram aprovados os primeiros cânones (leis internas) sobre a conduta de padres e bispos.

Igreja pode ser palco do Primeiro Concílio

A basílica submersa foi identificada em 2014. Durante as escavações, arqueólogos encontraram restos de uma construção menor abaixo dela, incluindo paredes, uma base de coluna e um piso localizado cerca de 30 centímetros abaixo da estrutura atual.

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Para Mustafa Şahin, professor da Universidade Bursa Uludağ e responsável pela pesquisa, os vestígios indicam que existiu uma igreja anterior à basílica. Ele acredita que ela possa ser a Igreja de Neófito, enquanto a construção posterior seria a Igreja dos Santos Padres.

A hipótese ganhou força porque o bispo Eusébio de Cesareia, participante do concílio, descreveu uma pequena igreja como espaço de oração.

Segundo Şahin, essa descrição combina melhor com a construção menor encontrada no local.

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A possível identificação não altera o que foi decidido em Niceia, mas pode ajudar a localizar fisicamente o cenário de um acontecimento que moldou o cristianismo.

Anel encontrado pode contar outra parte da história

Os arqueólogos também encontraram um anel de ouro com desenhos de uma palmeira e uma espada, além de um dedal, datados do ano de 729.

Peças parecidas são conhecidas em períodos ligados aos Omíadas e aos Abássidas, duas dinastias muçulmanas que dominaram grandes áreas do Oriente Médio depois do período romano.

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Na prática, os objetos podem indicar que a igreja continuou sendo visitada séculos depois do concílio.

Limitações da descoberta

Apesar da hipótese dos arqueólogos, outros pesquisadores pedem cautela. Richard Kim, professor da Universidade de Illinois Chicago, observou à Live Science que a igreja ainda não foi datada com precisão e lembrou que Eusébio também mencionou um palácio imperial como local de abertura do concílio.

Charles Odahl, professor emérito da Boise State University, foi ainda mais direto ao afirmar à Live Science que o concílio ocorreu em um palácio imperial às margens do lago, e não na igreja submersa.

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A pesquisa continua. Por enquanto, o achado oferece uma possibilidade importante para a arqueologia, mas não uma confirmação definitiva de que os bispos reunidos em 325 d.C. estiveram naquele ponto específico.