Sem motivos para folia

O cancelamento do ponto facultativo e da festa de Carnaval em si serve para compreender a dimensão e complexidade de uma pandemia

Bar completaria 20 anos em 2021

Bar completaria 20 anos em 2021 | Monique Carrati/Unsplash

Pelo menos nos últimos cinco anos, um fim de semana como este era para as ruas da capital paulista estarem abarrotadas de gente em pontos conhecidos da cidade. São Paulo, que não trazia na sua história uma profunda ligação com os blocos, despertou tardiamente para o legítimo Carnaval de rua.

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Pouco antes de a pandemia desembarcar oficialmente por aqui, a cidade da garoa virou a capital do Carnaval, com mais de 15 milhões de pessoas curtindo a folia em centenas de blocos. Um ano depois do maior Carnaval da história de São Paulo, infelizmente não temos muitos motivos para comemorar e brincar.

Fora lembrar que a data alegre não será celebrada, ainda não podemos esquecer que o coronavírus afetou não só a saúde como também a renda de muita gente. Escolas de samba, blocos de rua, ambulantes, o turismo e todas as esferas envolvidas neste grande evento deixaram de arrecadar dinheiro e ter uma fonte de renda principalmente neste período.

O Carnaval nas comunidades do samba criam empregos durante o ano todo e as agremiações funcionam como verdadeiras empresas com funcionários com carteira assinada e outras modalidades de contratação. Sem o evento, as demissões foram massivas.

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Além do auxílio emergencial do governo federal, o setor de cultura recebeu ajuda financeira através da Lei Aldir Blanc e em São Paulo, a prefeitura promove eventos on-line pagando cachê para os artistas que participam da ação durante fevereiro. Nada comparado, claro, com o evento que movimentou R$ 2,7 bilhões, incluindo turismo e principalmente o comércio paulistano.

Os prejuízos irreparáveis são incontáveis, principalmente para as famílias que perderam seus entes queridos ou que tiveram seu ano de 2020 marcado pelas consequências cruéis dessa doença. O cancelamento do ponto facultativo e da festa em si, no país conhecido como o do Carnaval, é emblemático e serve para compreender a dimensão e complexidade de uma pandemia.

A felicidade e o sorriso tão marcantes no rosto dos nossos foliões ficaram para 2022. Felizmente em 2021 conseguimos pelo menos festejar a chegada da vacina.