Como conciliar autoconfiança e carisma quando você é a única mulher na sala?

Quando pensei neste título, percebi que talvez o primeiro problema esteja justamente na ideia de que uma mulher precise conciliar autoconfiança e carisma principalmente em uma reunião de negócios, sendo a única mulher da sala

LIBRA: Seus talentos criativos e carisma estarão no auge, permitindo que você aproveite ao máximo as oportunidades; o dia promete grandes conquistas.

Autoconfiança não precisa nos tornar menos humanas. E carisma não precisa nos tornar menos fortes.

Quando pensei neste título, percebi que talvez o primeiro problema esteja justamente na ideia de que uma mulher precise conciliar autoconfiança e carisma principalmente em uma reunião de negócios, sendo a única mulher da sala.

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Por que, quando ocupamos determinados espaços, parece que precisamos escolher cuidadosamente quanto de cada característica podemos demonstrar?

Se somos firmes demais, podemos ser consideradas difíceis. Se somos gentis demais, corremos o risco de não sermos levadas tão a sério. Se defendemos uma opinião com convicção, somos intensas. Se tentamos construir consenso, talvez nos falte pulso. Existe quase uma matemática invisível sobre como uma mulher deve se comportar quando ocupa espaços de liderança.

E aí entram alguns adjetivos tentando caracterizar ou explicar atitudes. Competente, mas não arrogante. Confiante, mas não intimidadora. Ambiciosa, mas não demais. Firme, mas simpática. E, de preferência, carismática enquanto faz tudo isso. Só de escrever já parece cansativo. E não é apenas uma percepção de fato.

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Pesquisas sobre mulheres em posições de liderança vêm documentando há anos um fenômeno interessante: características tradicionalmente associadas à liderança, como assertividade, firmeza e autoridade, nem sempre são avaliadas da mesma maneira quando aparecem em homens e mulheres. Existe um dilema conhecido entre competência e afabilidade: mulheres podem ser percebidas como competentes, porém frias, ou agradáveis, porém menos eficazes como líderes.

Em outras palavras, muitas mulheres ainda precisam administrar não apenas o que dizem, mas também como serão percebidas sentada à mesa.

E talvez essa sensação seja ainda mais evidente quando você entra em uma sala e percebe que é a única mulher ali. Eu já estive nessa sala, e ainda ocupo esse lugar. Na verdade, continuo entrando nela. Reuniões, negociações, encontros empresariais, mesas de decisão, eventos do mercado. Você olha ao redor e percebe rapidamente que está em minoria.

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No começo da minha trajetória, isso incomodava, havia uma preocupação silenciosa em demonstrar que eu sabia o que estava fazendo. Eu me preparava muito. Pensava nas perguntas que poderiam surgir, nos números, nos argumentos, no que eu deveria falar e até na forma como deveria falar.

O que mudou foi o motivo. Hoje eu não me preparo para provar que mereço estar naquela sala, e sim porque tenho responsabilidade sobre entender que mereço porque conquistei esse espaço. Essa diferença parece pequena, mas para mim mudou muita coisa.

Durante muito tempo, mulheres foram minoria justamente nos espaços onde as decisões eram tomadas. No Brasil, dados do IBGE mostram que, em 2022, apenas 39,3% dos cargos gerenciais eram ocupados por mulheres. E quando olhamos para alguns setores, a diferença é ainda maior. Sabe aquela sensação de ser a única mulher na sala não nasceu da nossa imaginação, muitas vezes, ela é simplesmente consequência dos números.

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O cenário internacional mostra algo semelhante. O relatório Women in the Workplace 2025, da McKinsey em parceria com a LeanIn.Org, aponta que as mulheres representam 49% dos profissionais nos cargos de entrada das empresas analisadas, mas apenas 29% das posições de C-level. Quanto mais perto do topo, menos mulheres encontramos.

E existe uma consequência pouco discutida quando você pertence a um grupo que ainda é minoria em determinados espaços, às vezes, você sente que não está representando apenas a si mesma, sinto que não posso errar.

Que preciso estar mais preparada, ter sempre a resposta, e demonstrar segurança mesmo quando, como qualquer outro profissional naquela mesa, também está avaliando possibilidades. Mas a experiência foi me ensinando que autoconfiança não nasce de entrar em uma sala acreditando que você sabe mais do que todo mundo.

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Nasce pelo simples fato de não precisar provar o tempo inteiro que você merece estar ali. Existe uma diferença enorme entre confiança e arrogância. Confiança é conseguir dizer: “Eu conheço esse assunto”. Mas também é conseguir dizer: “Eu não sei, vou entender melhor”. É defender uma posição quando acredita nela e mudar de opinião quando alguém apresenta um argumento melhor. É sobre falar, mas principalmente saber ouvir.

Talvez por isso eu tenha mudado também minha percepção sobre carisma.

Durante muito tempo, associamos carisma a ser agradável, expansiva, querida, alguém capaz de conquistar rapidamente as pessoas. Hoje acredito que carisma tem muito mais relação com conexão. É olhar para as pessoas. Saber conversar com quem ocupa a presidência de uma empresa e com quem acabou de chegar nela com o mesmo respeito.É ter presença sem precisar ocupar todos os espaços, e isso não diminui autoridade, pelo contrário ao longo da minha trajetória que não preciso reproduzir um modelo masculino de liderança para ser respeitada em ambientes historicamente ocupados por homens.

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Não preciso engrossar a voz, não preciso deixar de sorrir, sim existem mulheres que já foram impedidas de sorrir. E principalmente não preciso abrir mão da minha personalidade para parecer mais preparada. Confesso que isso levou tempo, até porque autoconfiança não chegou para mim como uma característica pronta, foi construída.

Foi construída em cada reunião em que eu tinha uma opinião e decidi expressá-lá, em uma negociação difícil, cada decisão que deu certo e, principalmente, naquelas que deram errado e me ensinaram alguma coisa.

Foi construída nas vezes em que alguém discordou de mim e eu percebi que sobreviveria à discordância. Nas vezes em que precisei defender uma ideia, e também em que tive maturidade para reconhecer que a ideia de outra pessoa era melhor.

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Talvez essa seja uma das coisas que mais quero que outras mulheres entendam: confiança não é ausência de insegurança.

Ainda existem situações em que entro em uma sala e penso antes de falar, existem pessoas que sabem mais do que eu sobre determinados assuntos, negociações que me tiram da zona de conforto, e isso não me faz menos preparada para estar ali.

Nenhum homem precisa conhecer absolutamente tudo antes de se considerar apto a contribuir com uma conversa. Nós também não deveríamos exigir isso de nós mesmas, e também existe outra parte importante dessa discussão.

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Não basta ensinar mulheres a terem mais confiança se continuarmos construindo ambientes em que elas precisam trabalhar duas vezes mais para que essa confiança seja interpretada como competência.

Empresas precisam olhar para quem está nas mesas de decisão, quem está sendo promovido, quem recebe projetos estratégicos, e mais do que isso, quem tem voz, quem é interrompido, e quem é ouvido. Quem recebe oportunidades antes mesmo de se sentir 100% preparado.

O relatório Women in the Workplace 2025 mostra que as mulheres continuam sub-representadas em todos os níveis da hierarquia corporativa nas empresas pesquisadas e representam apenas 29% das posições de C-suite.

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Precisamos preparar mulheres para ocupar esses espaços, e preparar os espaços para receber essas mulheres.

Hoje, quando entro em uma sala onde sou a única mulher, tento não pensar no quanto preciso me adaptar àquele ambiente, e sim no que tenho para contribuir com ele. Talvez seja essa a principal mudança que a maturidade profissional trouxe para mim. Eu não preciso escolher entre ser firme e ser gentil. Posso defender uma posição e continuar ouvindo, tomar uma decisão difícil e tratar as pessoas com respeito, e ser amável e gentil, ter ambição sem pedir desculpas por ela.

Posso ter carisma sem transformar simpatia em necessidade de aprovação, e ocupar uma cadeira sem sentir que preciso justificar, o tempo inteiro, por que estou sentada nela. E pensar que somente nos matemos nela, tendo características masculinas, sendo rude, e não trazer a importância da feminilidade, para gerar senso crítico, e deixar aflorar aquela nossa intuição que quase nunca falha. É sobre ser reconhecida pela sua imagem pessoal, por ser a mais fashionista da sala, e segurar que isso tem a ver com a sua personalidade, e que não desmerece a posição que ocupa, pelo contrário só fortalece.

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Por isso, se hoje alguém me perguntasse como conciliar autoconfiança e carisma quando você é a única mulher na sala, talvez minha resposta fosse com outra pergunta, por que precisamos escolher?

Autoconfiança não precisa nos tornar menos humanas. E carisma não precisa nos tornar menos fortes. Talvez o verdadeiro avanço aconteça quando uma mulher entra em uma sala e deixa de gastar energia tentando descobrir qual versão dela será mais aceita. E passa a usar essa energia para aquilo que realmente importa, contribuir, decidir e liderar.

E, quem sabe, ajudar a construir um futuro em que outra mulher entre naquela mesma sala, olhe ao redor e perceba que já não é mais a única.