Uma enorme parede de granito no interior da Paraíba chama atenção por um detalhe difícil de ignorar. No alto da formação, uma cavidade natural cria a impressão de uma boca gigantesca aberta na rocha, característica que acabou dando nome a um dos cartões-postais mais curiosos da região.
Localizada em Araruna, no Curimataú paraibano, a Pedra da Boca fica próxima à divisa com o Rio Grande do Norte. O paredão integra um parque estadual cercado por outras formações rochosas, trilhas e sítios arqueológicos, além de atrair visitantes interessados em esportes de aventura e contemplação da paisagem.
Desde 2000, quando foi criado, o Parque Estadual da Pedra da Boca protege cerca de 160 hectares marcados por grandes afloramentos graníticos. Entre eles, a formação que batizou a unidade se destaca justamente pela cavidade que lembra uma boca vista à distância.
De diferentes pontos do parque, a impressão muda conforme o ângulo. Em alguns trechos, a abertura parece ainda mais profunda e reforça a semelhança com uma boca escancarada no meio da serra, cercada pela vegetação típica da Caatinga.
A aparência curiosa ajudou a transformar o local em atração turística, mas a região também chama atenção por sua importância geológica, pelas atividades de aventura e pelos registros deixados por antigos grupos humanos. O resultado é um destino que reúne natureza, arqueologia e turismo em uma mesma área protegida.
Boca moldada na pedra
Resultado de processos naturais, o formato curioso não surgiu por intervenção humana. A Pedra da Boca faz parte de um conjunto de formações graníticas que ganhou suas feições atuais a partir do desgaste contínuo da rocha ao longo do tempo.
Mesmo resistente, o granito sofre alterações provocadas pela exposição às mudanças de temperatura, à água, ao vento e a outros agentes naturais. Com os anos, fissuras podem se ampliar e criar cavidades com contornos capazes de lembrar figuras conhecidas.
Outras estruturas espalhadas pelo parque reforçam essa característica peculiar da paisagem. Entre elas estão a Pedra da Caveira, a Pedra do Carneiro, a Pedra do RN e a Pedra do Letreiro, cada uma com formas próprias e diferentes pontos de observação.
Também despertou interesse científico a singularidade desse conjunto rochoso. Pesquisas já destacaram a Pedra da Boca como área relevante para estudos de patrimônio geológico e para iniciativas relacionadas à conservação e ao geoturismo.
Parque virou destino de aventura
Mais do que um ponto para observar a formação de longe, o parque se consolidou como destino para atividades ao ar livre. O relevo acidentado favorece práticas como escalada, rapel, trekking e outras modalidades ligadas ao turismo de aventura.
Por diferentes trechos da unidade, trilhas atravessam áreas entre paredões e pontos elevados de onde é possível observar a paisagem do Curimataú. O município também vem estruturando rotas que passam por zonas rurais, cânions e sítios arqueológicos da região.
Quem prefere uma visita mais tranquila também encontra espaço para contemplação e ecoturismo. A combinação entre blocos de granito e vegetação da Caatinga cria um cenário bastante diferente daquele visto em destinos serranos mais úmidos do país.
Rochas guardam história antiga
Muito antes de a Pedra da Boca se transformar em atração turística, a região já guardava marcas deixadas por antigos grupos humanos. Na Pedra do Letreiro, por exemplo, existem inscrições rupestres associadas a populações indígenas que ocuparam o território.
Outro elemento presente no parque é a religiosidade. Próximo às inscrições fica o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, que recebe celebrações e visitantes ao longo do ano e amplia o perfil de quem circula pela unidade de conservação.
Desde 2024, a área conta ainda com plano de manejo oficialmente aprovado pelo governo paraibano. O documento estabelece regras de zoneamento e visitação, com o objetivo de conciliar atividades turísticas e preservação ambiental.
Mesmo cercada por outros atrativos, a enorme abertura no paredão continua sendo o principal símbolo do parque. Dependendo do ângulo, a formação realmente parece uma boca escancarada no meio da serra, detalhe que ajudou a transformar a Pedra da Boca em uma das paisagens mais reconhecíveis de Araruna.






