O que é a visualização única do WhatsApp
Lançada em 2021, a função de visualização única prometia não deixar rastros. A ideia era que fotos e vídeos sumissem após serem vistos.
Porém, na prática, isso não se sustenta diante de uma perícia digital. O que parecia desaparecer pode ser recuperado por especialistas.
Caso real: Daniel Vorcaro
Um exemplo claro é o caso do banqueiro Daniel Vorcaro. A Polícia Federal conseguiu resgatar conteúdos do celular, mesmo enviados com visualização única.
Mesmo com a tentativa de apagar provas, os investigadores tiveram sucesso na recuperação dos dados. Isso mostra a vulnerabilidade do sistema.
Como funciona o rastro digital
Mesmo que o conteúdo visual desapareça para o usuário, um rastro digital permanece.
Segundo especialistas, toda mídia transita pelos servidores da Meta, empresa responsável pelo WhatsApp.
Durante o envio, um link de referência é gerado e armazenado nos aparelhos de quem envia e recebe.
Esse link pode permanecer nos servidores da Meta por até 20 dias, facilitando a recuperação por peritos.
Mesmo após esse prazo, softwares forenses especializados conseguem resgatar informações.
Técnicas de recuperação utilizadas
A recuperação acontece mesmo quando os dados foram excluídos do sistema operacional do celular.
A Polícia Científica e Federal utilizam recursos avançados para acessar esses dados.
Segurança da informação em xeque
A visualização única é popular por permitir o compartilhamento de informações sensíveis sem gerar provas permanentes.
Contudo, essa segurança não é absoluta diante de uma análise pericial judicial.
A privacidade oferecida é momentânea, protegendo contra outros usuários, mas não contra investigações judiciais.
Entrevista com o perito Ibsen Maciel

O perito criminal oficial em forense computacional da Polícia Científica do Pará, Ibsen Maciel, explica:
É possível recuperar mensagens únicas?
“Sim, com mandado judicial, conseguimos recuperar. Mas versões mais recentes do WhatsApp dificultam o trabalho. As mensagens ficam no servidor da Meta por até 20 dias.”
Como é feito o procedimento?
“Áudios, fotos e vídeos vão primeiro para a nuvem da Meta. O link desses arquivos fica nos celulares de quem enviou e recebeu.
Com técnicas forenses, descriptografamos a tabela de mensagens, acessamos os metadados, localizamos o link da mídia, baixamos o arquivo e o descriptografamos com script em Python.”
Quais programas são usados?
“Utilizamos o Ávilla Forensics, o SQLite v3.13.1 e o script em Python para descriptografar os arquivos da Meta.”
Como validar as provas?
“Fazemos o laudo pericial, aplicamos o hash criptográfico nos arquivos e registramos tudo para manter a cadeia de custódia.”
Conclusão
A visualização única do WhatsApp é eficaz para o usuário comum, mas em casos de crimes ou investigações, os peritos policiais conseguem recuperar tudo o que foi dito e enviado.
