O debate em torno da flexibilização das jornadas de trabalho no Brasil acendeu o sinal de alerta entre comerciantes e industriais do estado de São Paulo.
De acordo com um levantamento divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (31/8) o País necessitaria de até três décadas de ganhos contínuos de produtividade para conseguir compensar os efeitos econômicos do fim do regime 6×1 sem prejudicar a rentabilidade do setor privado.
A avaliação da entidade mostra que a substituição da folga única por escalas mais livres exige um nível de rendimento por trabalhador que a economia brasileira ainda não conseguiu alcançar.
Hoje, segundo a CNI, a mudança do regime de trabalho faria o total de horas trabalhadas cair cerca de 7,8%. O que exigiria um aumento de 8,3% a 8,5% na produtividade para retomar os níveis atuais.
Segundo o levantamento, caso a mudança seja aprovada pelo Senado, que inclusive pode ser votada já nesta quarta-feira (2/9) , os estabelecimentos que funcionam aos finais de semana e feriados terão de reestruturar totalmente seus quadros operacionais.
Impactos no consumidor e no mercado de trabalho
A reconfiguração do mercado de trabalho pode gerar desdobramentos diretos na rotina das cidades e no custo de vida da população paulista:
Encarrecimento do atendimento: o aumento da necessidade de contratação de substitutos pode encarecer a prestação de serviços essenciais, restaurantes, hotéis e supermercados.
Freio nas contratações formais: empresas de menor porte podem optar por enxugar quadros ou adiar planos de expansão para conter o crescimento das despesas operacionais.
Risco de inflação local: o Repasse da alta de custos para as mercadorias pode pressionar o orçamento das famílias, compensando de forma negativa os ganhos de tempo livre.
Gargalos da eficiência industrial brasileira
Para que a redução das horas trabalhadas não se converta em prejuízo ou desemprego, o levantamento da CNI defende que o País acelerasse a modernização do seu ecossistema produtivo.
Contudo, considerando o histórico de baixo crescimento da produtividade no Brasil, a transição exigirá cautela e prazos adequados de adaptação para evitar o fechamento de micro e pequ
Hoje a indústria brasileira é hoje a 100ª do mundo em capacidade de produção por trabalhador e a 91ª por hora trabalhada.












