A Copa do Mundo é sempre um momento de animação, alegria e união.
As pessoas se reúnem para torcer, vibrar, vestir a camisa do Brasil e comemorar cada jogada como se fosse um gol.
Ainda mais quando estamos vendo o Vini Jr. dando um show em campo, é natural que a empolgação tome conta das ruas, das casas e das famílias. Em meio a essa exaltação, muitas pessoas recorrem aos fogos de artifício para comemorar.
O barulho passa a ser visto como parte da festa, quase como uma extensão da alegria coletiva.
O problema é que aquilo que, para alguns, parece apenas celebração, para outros pode ser uma experiência de medo, sofrimento e desespero. É importante lembrar que os fogos com estampido podem ser prejudiciais para diversos grupos.
Idosos, pessoas autistas, bebês, pessoas hospitalizadas e animais podem sofrer muito com ruídos intensos e inesperados.
No caso dos animais, esse impacto é ainda mais evidente porque eles não entendem que aquele barulho faz parte de uma comemoração. Para muitos cães e gatos, os fogos soam como uma ameaça real.
Fogos de artifício e animais: celebrar sem provocar sofrimento
Segundo a RSPCA, organização britânica de proteção animal, estima-se que 45% dos cães demonstrem sinais de medo ao ouvir fogos de artifício.
Esses sinais podem aparecer de várias formas: tremores, latidos excessivos, tentativa de se esconder, salivação, agitação, fuga e até ferimentos quando o animal tenta escapar do barulho.
Ou seja, não estamos falando de um simples incômodo, mas de uma situação que pode colocar em risco o bem-estar e a segurança desses animais. Por isso, é fundamental reforçar que a comemoração não precisa acabar.
Ninguém está dizendo que não se deve celebrar uma vitória, uma virada de ano ou qualquer outro momento importante.
A questão é que a festa não pode acontecer em detrimento do bem-estar dos demais.
Hoje já existem alternativas, como os fogos silenciosos, que mantêm o espetáculo visual, mas reduzem o impacto causado pelo estampido.
Um bom exemplo disso foi a iniciativa adotada no Réveillon da Avenida Paulista, em São Paulo, com o uso de fogos sem estampido.
A própria Prefeitura destacou que a medida buscava preservar idosos, pessoas com Transtorno do Espectro Autista e animais, mostrando que é possível realizar uma grande celebração pública sem ignorar os grupos mais sensíveis ao barulho.
Esse é o tipo de escolha que precisamos incentivar. A alegria de uma comemoração não está no susto que ela causa, mas na união que ela produz.
Cornetas, bandeiras, camisetas, pinturas no rosto, música, abraços e gritos de gol continuam sendo muito bem-vindos. O que precisamos repensar é a ideia de que comemorar exige provocar sofrimento em quem não consegue se proteger do barulho.
A Copa do Mundo deve ser uma festa para todos.
E, para que isso aconteça, precisamos lembrar também daqueles que não conseguem pedir silêncio, explicar seu medo ou se defender sozinhos. Celebrar com responsabilidade é entender que a nossa alegria não precisa custar o bem-estar dos animais.
