O estigma sobre o vodu haitiano e o risco da soberba brasileira

Conheça a história do Haiti, país que derrotou o Exército de Napoleão e conquistou sua independência em 1804

Para quem pensa que enfrentar o Haiti é moleza, não é bem assim não. Foto: Folhapress

Para quem pensa que enfrentar o Haiti é moleza, saiba que os haitianos derrotaram ninguém mais ninguém menos do que o Exército de Napoleão Bonaparte, quando conquistou a independência em primeiro de janeiro de 1804.

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Essa foi a importante revolução haitiana que seguia entre 1791 até, como eu disse, 1804.

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Sim, os franceses caíram para o povo que ostenta, até hoje, o troféu da primeira nação negra independente do mundo (evidentemente aos olhos do Ocidente), mas essa é uma conversa que merece mais de um minuto.

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Também vem do Haiti o vodu, que começou a ser estigmatizado na própria revolução haitiana e ganhou um reforço nesse sentido pelo alegado caso de escravizamentos por “Zumbificação”.

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Um dos casos relatados foi de Clairvius Narcisse, que depois de ser declarado morto foi exumado e passou a ser mantido escravizado sob o efeito de drogas em uma plantação de cana por um feiticeiro.

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Nos anos 1980 um etnobotânico descobriu que o “zumbificamento” era na verdade um tipo de cárcere mantido com administração de uma poção com algumas ervas e um componente chamado Tetrodotoxina encontrada no veneno de baiacu (aquele peixe venenoso que estufa), que pode causar catalepsia.

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Essa é uma condição física na qual a vítima do envenenamento aparenta estar morta, mas mantém algum grau de consciência e batimentos cardíacos muito baixos.

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O pseudo zumbi era desenterrado e outras substâncias eram ministradas, essas alterando o seu estado de consciência, causando desordem cognitiva, alucinações e principalmente submissão – sintomas que a gente torce para que o técnico da seleção não tenha.

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Antes de acabar, é importante dizer que o vodu não merece os estigmas que leva, já que é mais uma expressão religiosa influenciada por tradições africanas e católicas e não tem nada de diabólica.

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Ao contrário, é um importante eixo comunitário, cultural, curativo e, principalmente, de respeito à natureza.

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Hoje, o que importa dizer é que o povo do Haiti é muito forte e cada um dos caras que veremos em campo carregará isso na alma.

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Cuidado com a soberba, Brasil!