Um homem foi libertado de um cativeiro pela Polícia Militar após uma denúncia anônima em Carapicuíba, na Grande São Paulo, no último domingo. De acordo com a PM, o homem seria executado num “tribunal do crime” suspeito de pertencer à facção criminosa Família do Norte (FDN), quadrilha rival do Primeiro Comando da Capital (PCC).
Quando a polícia chegou, os criminosos fugiram do local. A vítima ficou cerca de 28 horas em poder dos bandidos, sendo torturada dentro de um imóvel na região conhecida como Favela da Reciclagem, no bairro Vila Veloso.
O homem tinha lesões na cabeça. Os policiais encontraram no local uma bateria que teria sido usada para dar choques na vítima, um tijolo que onde a vítima teria sido colocada sentada, além de dinheiro, comida e bebidas alcoólicas.
Indagado pela polícia, o refém negou que pertencesse à FDN, uma facção surgida em meados dos anos 2000 no Amazonas. O caso foi registrado no 1º Distrito Policial (DP) de Carapicuíba.
‘Tribunais do crime’
Os “tribunais do crime”, como são chamados, têm quase a mesma dinâmica de um julgamento comum, com “réu”, “acusador”, “vítima” e “julgadores”. Os acusados geralmente são levados para lugares como terrenos baldios ou imóveis vazios e são indagados sobre as acusações.
Os que são considerados culpados podem ser condenados à morte executados por asfixia, queimados, esfaqueados ou baleados. No geral, as vítimas são membros das quadrilhas ou de grupos rivais e até mesmo moradores das comunidades dominadas pelo tráfico de drogas.
Os tribunais do crime também contam com a participação de membros de facções que estão dentro dos presídios, que decidem sobre a sentença final do acusado.