Lava Jato em São Paulo quer ouvir Kassab sobre obras da Prefeitura

A investigação mira quatro obras de urbanização de favelas realizadas pela Secretaria da Habitação e a requalificação do Largo da Batata, entre 2003 e 2012 Por Estadão Conteúdo De São Paulo

A força-tarefa da Operação Lava Jato em São Paulo quer ouvir o ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Gilberto Kassab (PSD) – futuro chefe da Casa Civil do governo João Doria (PSDB) -, no âmbito de um Procedimento Investigatório Criminal (PIC) que apura supostos crimes de fraude à licitação, cartel, corrupção e lavagem de dinheiro em obras da Prefeitura de São Paulo. As irregularidades teriam ocorrido no período em que Kassab foi vice-prefeito e prefeito da cidade.

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Os 11 procuradores da força-tarefa requereram nesta quarta-feira, 14, à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que encaminhe ao ministro uma intimação para que ele escolha um data para seu depoimento entre 19 de novembro e 7 de dezembro. Como ministro de Estado, Kassab tem direito a escolher o dia.

Apesar de o ministro ser investigado criminalmente em São Paulo, a força-tarefa não pode intimá-lo diretamente para depor. A Lei Complementar 75/93 estabelece que a intimação deve ser feita por intermédio do gabinete da procuradora-geral da República.

A investigação mira quatro obras de urbanização de favelas realizadas pela Secretaria da Habitação e a requalificação do Largo da Batata, entre 2003 e 2012. Kassab assumiu a Prefeitura em 2006 quando José Serra deixou o cargo para concorrer à Presidência. Em seguida, Kassab foi eleito prefeito em 2008 e manteve-se na chefia do Executivo paulistano até 2012. A apuração decorre de declarações de executivos de uma construtora

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Apesar de ter foro privilegiado na condição de ministro, Kassab pode ser alvo de investigação do Ministério Público Federal, em São Paulo. Isto porque o Supremo Tribunal Federal autorizou que fatos que não têm relação com o cargo atualmente ocupado por um investigado podem ser investigados em primeira instância.

No início do mês, João Doria anunciou Kassab como seu secretário-chefe da Casa Civil. O ministro vai cuidar das articulações políticas do tucano. Com a mudança de função, Kassab continuará sendo investigado em primeiro grau, pois os fatos teriam ocorrido durante a sua gestão como prefeito.

Kassab é alvo ainda de dois inquéritos da Lava Jato. O Supremo determinou que as investigações sejam remetidas ao 1.º grau judicial. O ministro recorreu das decisões.

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Defesa

Em nota, o advogado Igor Tamasauskas, que defende Gilberto Kassab, afirmou que “a defesa desconhece a investigação em comento. E reafirma a correção dos atos do ministro Gilberto Kassab à frente dos cargos públicos que exerceu.”