Peritos do Instituto de Criminalística de São Paulo recusaram a análise de mais de 15 aparelhos eletrônicos apreendidos em endereços ligados à produtora do filme Dark Horse, cinebiografia sobre Jair Bolsonaro.
Entre os materiais estavam celulares, notebooks e pen drives.
A perícia identificou falhas nos lacres usados para acondicionar os equipamentos.
Embora os invólucros estivessem aparentemente fechados e os lacres, inviolados, havia espaços que permitiam a passagem de um cabo USB.
Em pelo menos 13 aparelhos, o documento da perícia apontou que a abertura poderia permitir a alimentação dos dispositivos e a transferência de dados, criando risco de manipulação das informações.
Material voltou para a Polícia Civil
Os equipamentos foram devolvidos à Polícia Civil de São Paulo para que novos lacres fossem colocados.
O objetivo é preservar a chamada cadeia de custódia, que garante o controle sobre a integridade das provas desde a apreensão até a análise pericial.
Dois celulares recusados foram apreendidos em endereços diretamente ligados a Karina da Gama, dona da produtora Go Up, responsável por Dark Horse.
Os demais estavam em empresas que prestavam serviços a entidades relacionadas à empresária.
A investigação sobre a produtora ganhou novo capítulo neste domingo (13/9), após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantar o sigilo de cerca de 5 mil páginas de documentos apreendidos pela Polícia Civil.
Ele também determinou o compartilhamento do material bruto, incluindo os aparelhos eletrônicos, com a Polícia Federal.
Investigação sobre financiamento do filme
As apurações envolvem suspeitas relacionadas ao uso de recursos públicos, incluindo emendas parlamentares, e à rede de empresas e entidades ligada à produtora.
A Polícia Federal investiga possíveis crimes como peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e irregularidades em licitações.
Karina da Gama nega irregularidades em seus negócios.
