O futebol paraense perdeu uma de suas figuras mais emblemáticas neste domingo (13/9). O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e da Federação Paraense de Futebol (FPF), Antônio Carlos Nunes, conhecido popularmente como Coronel Nunes, morreu aos 87 anos em um hospital particular de Belém.
Segundo relatos de pessoas próximas, o ex-dirigente enfrentava internação há mais de seis meses na capital paraense. Ele sofria com complicações de saúde decorrentes de uma cirurgia na cabeça para a retirada de um tumor anos atrás.
Conforme o cronograma da família, a cerimônia de despedida começa às 13h deste domingo em uma capela na Avenida José Bonifácio, próximo à sede da FPF, enquanto o sepultamento ocorrerá na manhã de segunda-feira (14), na cidade de Ananindeua.
Trajetória militar e consolidação no futebol paraense
Natural de Monte Alegre, no oeste do Pará, Coronel Nunes iniciou sua vida pública na carreira militar. No entanto, o dirigente construiu sua verdadeira paixão nos bastidores dos gramados. Durante a década de 1980, ele assumiu o posto de conselheiro do Paysandu, clube onde posteriormente ocupou o cargo de diretor de futebol na conquista inédita do título da Série B de 1991.
Dessa forma, o dirigente ganhou projeção regional e alcançou a presidência da Federação Paraense de Futebol (FPF) em 1998. Ele comandou a entidade estadual por quase 20 anos, período em que consolidou sua influência política e aproximou seu nome da cúpula do futebol nacional.
Ascensão ao comando da CBF e polêmicas internacionais
Paralelamente ao trabalho no Pará, Coronel Nunes integrou o quadro de vice-presidentes da CBF. Por ser o vice-presidente de maior idade na entidade, ele assumiu a presidência interina no início de 2016, quando Marco Polo Del Nero solicitou licença do cargo.
Posteriormente, com a suspensão de Del Nero pela FIFA por acusações de corrupção, Nunes tomou posse efetiva da presidência e liderou a entidade entre 2017 e 2019.
Durante sua gestão na CBF, o dirigente protagonizou episódios marcantes no cenário internacional. Em 2018, durante a escolha da sede da Copa do Mundo de 2026 em evento em Moscou, a Conmebol articulou um voto unificado na candidatura dos Estados Unidos, México e Canadá.
No entanto, Nunes quebrou o alinhamento sul-americano ao votar na candidatura de Marrocos, alegando que considerava a votação secreta e desejava dar uma oportunidade ao continente africano.
Disputas judiciais recentes e homenagens
Além das divergências no exterior, o nome do Coronel Nunes voltou ao centro de polêmicas judiciais em 2024 e 2025. O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ) analisou a legalidade de um acordo eleitoral na CBF e identificou fortes indícios de falsificação na assinatura do ex-dirigente.
Além disso, laudos médicos apontaram que Nunes já apresentava perda de capacidade cognitiva na época do documento.
Como consequência dessa investigação, a Justiça afastou o então presidente Ednaldo Rodrigues em maio de 2025 e determinou novas eleições na entidade.
Após o anúncio do falecimento, a CBF divulgou nota oficial lamentando a perda e destacando a contribuição de Nunes para o esporte no Pará e no Brasil.
O atual presidente da entidade, Samir Xaud, expressou profundas condolências aos familiares e amigos. Simultaneamente, o Paysandu manifestou pesar e solicitou um minuto de silêncio antes de sua partida oficial contra a Ferroviária pela Série C.
