A Ouvidoria da Polícia teve acesso às imagens da morte do sushiman L.S. dos S., de 26 anos, em um restaurante japonês no Itaim Bibi, bairro de classe média alta de São Paulo, na última semana. De acordo com o ouvidor Benedito Mariano, as cenas mostram “total despreparo dos policiais” ao usar armas não letais.
Houve quatro falhas visíveis na ação dos policiais, segundo Mariano. “Negligenciaram todos os procedimentos padrões da Polícia Militar, em especial o Método Giraldi. Necessidade: não havia necessidade do uso de arma de fogo. Proporcionalidade: usaram de força desproporcional nessa ocorrência. Oportunidade e qualidade: por não terem levado em conta os dois itens iniciais, eles, evidentemente, não avaliaram a oportunidade e qualidade da ação”, disse o ouvidor em entrevista à TV Globo.
Naquela noite, o suhiman teve um surto e passou a ameaçar com facas colegas e clientes do restaurante. Com a chegada dos policiais, o jovem também ameaçou os agentes com a faca, chegando a lançar uma contra as autoridades, e os PMs tentaram usar armas não letais, como balas de borracha e taser, para deter o funcionário.
Os policiais, porém, não conseguiram atingir o homem, que aparentava estar cada vez mais nervoso. Até que alguns PMs aparecem no vídeo atirando contra o homem com pistola .40. Socorrido, o sushiman morreu pouco tempo depois no Hospital das Clínicas, também na zona oeste de São Paulo, após ser atingido por quatro tiros. Ao menos 10 policiais participaram da ação.
O 15º Distrito Policial decretou sigilo no inquérito, para que informações divulgadas à imprensa não atrapalhem as investigações. O jovem, considerado quieto e discreto pelos colegas de trabalho, deixa mulher e uma filha de sete meses.