Torres demolidas e míssil no Pentágono: O que as provas revelam sobre as teorias da conspiração 25 anos após o 11 de Setembro

Demolição das torres, explosivos no WTC 7 e míssil contra o Pentágono estão entre as alegações confrontadas por documentos, perícias e depoimentos

Às 8h46 de 11 de setembro de 2001, o voo 11 da American Airlines atravessou a fachada da Torre Norte do World Trade Center. Dezessete minutos depois, enquanto emissoras transmitiam o incêndio para o mundo, o voo 175 da United Airlines atingiu a Torre Sul.

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Em seguida, o voo 77 colidiu contra o Pentágono, nos arredores de Washington. Na Pensilvânia, passageiros e tripulantes reagiram ao sequestro do voo 93, que caiu em um campo próximo a Shanksville antes de alcançar o provável alvo. Ao fim daquela manhã, os atentados haviam matado 2.977 pessoas, sem contar os 19 sequestradores.

As imagens mostraram a dimensão do ataque, mas também abriram espaço para dúvidas que atravessariam as décadas seguintes. Vídeos incompletos, relatos desencontrados e a crescente desconfiança no governo americano alimentaram teorias sobre explosivos, mísseis, operações financeiras e supostos alertas ignorados de propósito.

25 anos depois, essas alegações continuam circulando. Agora, porém, milhares de páginas de documentos, análises estruturais, registros de voo, investigações financeiras e depoimentos permitem confrontá-las com as evidências disponíveis.

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Torres demolidas?

Uma das teorias mais conhecidas afirma que apenas o impacto dos aviões e os incêndios não poderiam ter derrubado as Torres Gêmeas. Seus defensores apontam a velocidade e a aparência dos desabamentos como indícios de uma demolição controlada.

No entanto, a investigação conduzida pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos Estados Unidos, o NIST, apresentou outra conclusão. Os aviões romperam colunas, removeram parte da proteção contra incêndios e espalharam combustível por vários andares. Depois, o fogo prolongado aqueceu vigas e pisos, reduziu a resistência do aço e deformou a estrutura.

O aço não precisou derreter para que os edifícios perdessem estabilidade. Sob temperaturas elevadas, o material cede parte considerável de sua capacidade de sustentação. À medida que os pisos se deformaram, puxaram as colunas externas para dentro. Dessa forma, o colapso começou nas áreas atingidas e avançou sobre os andares inferiores.

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Para reconstruir o que ocorreu, especialistas examinaram documentos, peças de aço, fotografias e vídeos, além de ouvir sobreviventes e profissionais que trabalharam no resgate. A investigação do NIST sobre o World Trade Center não encontrou evidências de explosivos nem de uma demolição preparada com antecedência.

O enigma do WTC 7

O edifício 7 do World Trade Center se tornou um dos principais elementos das teorias conspiratórias porque desabou no fim da tarde sem receber o impacto de um avião. Até hoje, vídeos que mostram o prédio descendo quase verticalmente sustentam alegações de uma possível implosão.

Essas gravações, contudo, nem sempre revelam o estado completo do edifício. Destroços da Torre Norte atingiram sua estrutura, enquanto incêndios avançaram sem controle durante quase sete horas. Ao mesmo tempo, a perda de pressão da água comprometeu o sistema de combate às chamas.

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Segundo o NIST, o calor expandiu vigas e pisos e provocou uma falha ao redor de uma coluna central. O colapso avançou primeiro pelo interior do prédio. Somente depois, quando a estrutura interna já não oferecia sustentação, a fachada começou a cair. Essa sequência ajuda a explicar a aparência repentina observada nas imagens feitas à distância.

O órgão também identificou uma etapa de queda livre que durou aproximadamente 2,25 segundos. Vídeos conspiratórios costumam isolar esse dado, embora ele corresponda apenas a uma fase do desabamento, iniciada quando o interior do edifício já havia entrado em colapso.

Míssil no Pentágono

Outra teoria afirma que um míssil, e não um avião comercial, atingiu o Pentágono. A aparência inicial da abertura na fachada e a falta de imagens nítidas do momento exato da colisão contribuíram para manter essa versão em circulação.

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As evidências recolhidas no local, porém, apontam em outra direção. Controladores de tráfego aéreo acompanharam a rota do voo 77, enquanto testemunhas observaram a aeronave voando em baixa altitude. Após o impacto, equipes de investigação encontraram destroços do Boeing 757 dentro e ao redor do prédio e recuperaram o gravador de dados de voo.

Além disso, exames de DNA identificaram restos mortais de passageiros, tripulantes e sequestradores. O relatório final da Comissão do 11 de Setembro também reconstruiu o percurso, o horário e a dinâmica da colisão. Para elaborar o documento, a comissão examinou mais de 2,5 milhões de páginas e entrevistou mais de 1.200 pessoas.

Dinheiro antecipado

Negociações incomuns com ações de companhias aéreas antes dos atentados levantaram outra suspeita: investidores teriam recebido informações antecipadas e lucrado com os ataques. A movimentação chamou atenção porque algumas operações apostavam justamente na desvalorização das empresas atingidas.

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Diante das suspeitas, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, a SEC, analisou aproximadamente 9,5 milhões de transações. Os investigadores rastrearam investidores, contas bancárias e possíveis relações com organizações terroristas.

Ao concluir a apuração, a agência não encontrou provas de que alguém tivesse negociado com base no conhecimento prévio dos atentados. Nos casos mais citados pelas teorias conspiratórias, os investidores não mantinham vínculos com a Al-Qaeda ou já possuíam razões comerciais para realizar as operações.

O governo sabia?

Antes de setembro de 2001, autoridades americanas receberam alertas sobre a ameaça representada pela Al-Qaeda. Em agosto daquele ano, um memorando entregue ao então presidente George W. Bush mencionou a intenção de Osama bin Laden de atacar dentro dos Estados Unidos.

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O documento existia, mas não indicava a data, os alvos nem o plano dos quatro sequestros. Posteriormente, as investigações mostraram que diferentes órgãos americanos possuíam fragmentos de informação. Mesmo assim, as agências não conseguiram compartilhar os dados, interpretar os sinais e montar o quebra-cabeça a tempo.

A Comissão do 11 de Setembro apontou falhas graves nos serviços de inteligência, na segurança aérea, na comunicação entre as autoridades e na resposta militar. Essas falhas, contudo, não comprovam que o governo tenha permitido deliberadamente os atentados. Os documentos revelam um fracasso institucional de grandes proporções, não uma operação organizada pelo Estado americano.

Dúvidas que sobreviveram

As teorias encontraram terreno fértil no choque provocado pelos ataques e nas decisões que os Estados Unidos tomaram nos anos seguintes. A Guerra do Iraque, justificada por alegações falsas sobre armas de destruição em massa de Saddam Hussein, aprofundou a desconfiança nas autoridades e tornou versões alternativas mais atraentes para parte do público.

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Ao mesmo tempo, a internet acelerou a circulação dessas narrativas. Vídeos editados, fotografias sem contexto e afirmações técnicas aparentemente precisas alcançaram milhões de pessoas sem apresentar o conjunto de evidências que as contradiziam. Com a repetição, antigas suspeitas ganharam a aparência de novas revelações.

Depois de 25 anos, permanecem legítimas as discussões sobre as falhas que antecederam o ataque, a atuação dos serviços de inteligência e as consequências políticas das guerras iniciadas posteriormente. As principais teorias conspiratórias, entretanto, não resistem ao confronto com as evidências acumuladas.

Documentos, perícias e depoimentos reconstituem uma história menos misteriosa, embora marcada por erros profundos: a Al-Qaeda planejou e executou os atentados, enquanto falhas de segurança e instituições incapazes de interpretar os sinais permitiram que a ameaça avançasse sem encontrar uma resposta a tempo.