Rodrigo Caio critica Aguirre e diz ter perdido fanatismo pelo São Paulo

O zagueiro associou a queda de rendimento do São Paulo no Brasileirão a uma falha na gestão do elenco por parte do técnico Diego Aguirre, demitido no início de novembro Por Folhapress De São Paulo

O zagueiro Rodrigo Caio, 25, associou a queda de rendimento do São Paulo no Campeonato Brasileiro a uma falha na gestão do elenco por parte do técnico uruguaio Diego Aguirre, demitido no início de novembro.

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“Quando você monta um time para ser campeão, precisa dar atenção para todos. Essa é a grande dificuldade, é a diferença dos treinadores de alto nível. É olhar no olho do cara e ver que ele comprou sua briga, sua ideia de jogo”, disse ao programa “No Ar com André Henning”, do Esporte Interativo.

O São Paulo chegou a levar o título simbólico do primeiro turno, mas encerrou a competição em quinto, já sob o comando de André Jardine.

Rodrigo Caio ficou ausente da disputa durante três meses, devido a uma lesão no pé esquerdo.
Recuperado, o zagueiro ficou sem espaço frente aos concorrentes da posição – Arboleda, Anderson Martins e Bruno Alves – e teve apenas três chances, atuando como lateral-direito.

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“Faltou comunicação, diálogo. Eu tive uma conversa com o Aguirre, mas ele não falava comigo, não me dava um retorno, não falava o que precisava melhorar. Ele revezava os três zagueiros, mas eu não tinha chance”, afirmou.

O zagueiro disse que o ápice do desgaste com o técnico ocorreu às vésperas do duelo com o Atlético-PR pela 30ª rodada. Em um treino tático, Aguirre preteriu Rodrigo Caio para escalar Anderson Martins, que sequer iria jogar, por ter sido expulso no jogo anterior, contra o Inter, e, portanto, estar suspenso

A dupla de zaga titular contra os atleticanos foi formado por Bruno Alves e Arboleda, que não treinou ao longo da semana por estar a serviço da seleção do Equador. Aguirre ainda ponderou improvisar Rodrigo novamente, que se recusou a jogar fora de sua posição.

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“Eu não vou ajudar como lateral, vou atrapalhar. Se todos os laterais machucarem, eu jogo. Mas tem o Araruna no banco, que sempre jogou de lateral e vai dar conta do recado”, revelou ter dito em reunião com o Aguirre, Raí, executivo de futebol do clube, e Lugano, superintendente de relações institucionais.

No São Paulo desde os 12 anos, Rodrigo Caio é alvo de críticas recorrentes da torcida. Ele argumenta que, por ter sido porta-voz da equipe em momentos difíceis, acabou responsabilizado pelos fracassos do clube, que, na última década, só conquistou a Sul-Americana, em 2012, e conviveu com risco de rebaixamento no Brasileiro.

“Se eu estou no elenco todos esses anos, é porque aguentei a bronca e fiz por merecer. Eu coloco dessa forma, porque muitos não aguentaram a pressão”, disse Rodrigo Caio, que ainda citou o meia Maicon, muito criticado em sua passagem pelo São Paulo, mas multicampeão e ídolo no Grêmio.

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São-paulino de infância, o zagueiro ainda disse ter perdido o fanatismo que nutria pelo clube, tal como seu pai. “Eu perdi um pouco dessa paixão, por tudo o que aconteceu. Lógico, sempre vou amar o São Paulo, se eu estiver aqui ou não. Mas, se eu for o culpado, espero que o clube ganhe muitos títulos quando eu sair.”

Rodrigo Caio tem contrato com o time tricolor até 2021 e é frequentemente especulado pelo futebol europeu. Ele afirmou ter recusado proposta do Real Sociedad (ESP) em janeiro, por ter um projeto de ir à Copa do Mundo da Rússia, mas acabou não sendo convocado pela seleção brasileira.