Governo quer estender atendimento em unidades de saúde até 22h

Segundo o ministro da Saúde, a ideia é dar condições para que secretários municipais de saúde possam organizar as equipes do Saúde da Família para garantir que algumas atuem também no período noturno Por Folhapress

O Ministério da Saúde pretende alterar o modelo de organização de equipes de unidades de saúde na tentativa de criar um “terceiro turno” de atendimento, o qual duraria até 22h.

Continua após a publicidade

A mudança consta de proposta para reorganização do programa Estratégia Saúde da Família, que responde pelo serviço nestes locais.

Hoje, a maioria das unidades de saúde funciona entre até 17h, com variações entre municípios. Na avaliação de técnicos do ministério, porém, o horário restrito tem levado à superlotação de UPAs (unidades de pronto-atendimento) e de prontos-socorros em hospitais com casos menos graves.

Segundo o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a ideia é dar condições para que secretários municipais de saúde possam organizar as equipes do Saúde da Família para garantir que algumas atuem também no período noturno.

Continua após a publicidade

Entre as medidas em análise, está um aumento no número máximo de equipes por unidade, que passaria de três para até seis. Já a carga horária dos médicos seria de no mínimo 20h semanais. “Daí para cima, os municípios montam como quiserem.”

A mudança, porém, não valeria para todas as unidades, mas sim para aquelas que já atendem um maior número de pessoas.

“Vamos reorganizar permitindo que os prefeitos possam observar seus critérios populacionais e trabalhar de forma a reorganizar os turnos, com até seis equipes permanecendo abertas até 22h para poder descomprimir a ida para as UPAS nos grandes centros”, diz.

Continua após a publicidade

O objetivo é aumentar o tempo de atendimento. “Hoje a unidade abre às 7h. Muitas pessoas saem pra trabalhar às 6h e a unidade está fechada, e também na hora do almoço. E quando volta, após as 17h, já fechou”, afirma o ministro, para quem parte dos casos podem ser redirecionados para unidades de saúde.

A decisão pelo atendimento noturno caberá a secretários de saúde, que hoje custeiam a maior parte do valor destinado para pagamento dos profissionais.

O ministério, no entanto, estuda aumentar o valor repassado pela União como garantia para a adesão. O impacto é estimado em R$ 500 milhões a até R$ 2 bilhões. Não está claro de onde sairiam esses recursos.

Continua após a publicidade

A previsão é que o modelo seja apresentado em reunião com secretários de estados e municípios nesta quinta-feira (28).

Representantes das prefeituras ouvidos pela reportagem dizem ser favoráveis à proposta. “Isso deve possibilitar acesso ao profissional médico, vacinas e exames em vários horários”, diz Mauro Junqueira, do Conasems (conselho nacional de secretários municipais de saúde).

Segundo ele, a medida deve ter impacto principalmente em cidades acima de 50 mil habitantes, que hoje possuem unidades com três equipes ou mais.