‘Se projeto de autonomia do BC passar, é o caso de ir para a rua e quebrar tudo’, afirma Ciro Gomes

O pedetista se exaltou quando questionado a respeito do projeto de lei sobre o assunto, que será enviado ao Congresso pelo Palácio do Planalto Por Folhapress

Candidato derrotado à Presidência da República em 2018, o ex-ministro Ciro Gomes (PDT) criticou nesta quinta (11) a proposta do governo Jair Bolsonaro de dar autonomia ao Banco Central. “Isso acontecendo, é daqueles casos de ir para a rua e quebrar tudo. Afirmo com toda serenidade”, declarou.

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O pedetista se exaltou quando questionado a respeito do projeto de lei sobre o assunto, que será enviado ao Congresso pelo Palácio do Planalto, conforme anunciou Bolsonaro em evento sobre seus primeiros 100 dias de gestão.

Ele disse que o Brasil é o país do mundo capitalista que “tem menos bancos do planeta Terra”, e afirmou que, ao entregar o BC ao predomínio do sistema financeiro com o atual nível de concentração bancária, o governo está destruindo a nação brasileira com qualquer condição de autonomia.

“Isso é a violenta e definitiva formalização de entrega do destino da nação brasileira a três bancos. Eu não conheço o projeto, vou lê-lo, mas conheço a intenção.”

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O ex-ministro discursou nesta quinta na sede nacional do PDT, em Brasília, e alegou em algumas ocasiões não querer ser injusto com o governo do rival político neste início. Mas criticou o que chamou de “postura criminosa” em temas como a administração em política externa

A avaliação de Ciro sobre os cem primeiros dias de Bolsonaro no Planalto é que o governo do presidente é “muito ruim”, mas que um processo de afastamento capitaneado pelo Congresso não é o remédio adequado, e sim pressão popular.

“Remédio para governo ruim, e eu considero o governo de Bolsonaro mais do que ruim, não é impeachment. Remédio para governo ruim é pressão. É o que eu estou tentando fazer. Respeitar o voto popular e aprender a votar.”

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Questionado sobre se já haveria condições para um pedido formal de impeachment do presidente, como sustentado pelo jurista Miguel Reale Junior, Ciro descartou a possibilidade.

“O jurista Miguel Reale Junior, que foi instrumento do golpe contra a [ex-presidente] Dilma [Rousseff], agora tenta instrumentalizar um golpe contra o Bolsonaro”, afirmou.

Ciro participou do lançamento do chamado Observatório Trabalhista, uma plataforma que busca monitorar uma série de indicadores econômicos e sociais do governo. O principal foco de críticas do ex-ministro foi a política externa do presidente, chamada de vergonhosa e entreguista em várias ocasiões.

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“O erro mais grave é o posicionamento, o alinhamento estúpido do Brasil com interesses estrangeiros.

Isso tem prejudicado pesadamente não só o futuro do país, como é o caso da entrega da Embraer, da base de Alcântara aos americanos e do alinhamento numa possível escaramuça bélica na Venezuela, que é uma aberração, mas mexe com o presente do país”, criticou, citando a queda de exportações brasileiras de produtos agrícolas para a China e de produtos de proteína animal para o mundo árabe.

Ciro comentou ainda o projeto de lei de educação domiciliar, defendido pela ministra Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e assinado também nesta quinta por Bolsonaro.

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“É uma aberração muito coerente com esse esforço medieval que infelizmente está predominando em áreas críticas do Brasil, especialmente na educação. Por exemplo, se os filhos do [ministro da Justiça Sergio] Moro forem aprender português com ele em casa, é preciso chamar o conselho tutelar.”

Para Ciro, o único acerto do governo até o momento foi a decisão de transferir os líderes de facções criminosas de São Paulo e Fortaleza a presídios federais.