Briga entre torcedores ‘repete’ confronto que fez surgir torcida única em São Paulo

O roteiro da briga ocorrida entre são-paulinos e corintianos na Grande SP, é similar ao do embate que serviu de argumento há três anos para a implantação da torcida única nos clássicos paulistas Por Folhapress De São Paulo

Um confronto entre torcedores de Corinthians e São Paulo marcou a primeira final do Campeonato Paulista neste domingo (14). O roteiro da briga ocorrida em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo, horas antes do jogo é similar ao do embate que serviu de argumento há três anos para a implantação da torcida única nos clássicos paulistas.

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No começo de abril de 2016, um confronto entre corintianos e palmeirenses em São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo, resultou na morte de um homem de 53 anos que passava pela rua – alheio à confusão, a vítima foi atingida por uma bala perdida.

Nos dois casos, os confrontos ocorreram longe dos locais dos jogos. No último domingo, a briga se deu em Ferraz de Vasconcelos, distante 45 km do Morumbi. Em 2016, a 31 km do Pacaembu, onde Corinthians e Palmeiras atuaram pelo Paulistão. Em julho do mesmo ano, um outro embate entre corintianos e são-paulinos aconteceu em Carapicuíba, a 47 km de Itaquera, palco do clássico válido pelo Brasileirão.

Há três anos, as medidas que extinguiram a presença de duas torcidas distintas em um clássico foram executadas de forma imediata. A decisão foi tomada no dia seguinte à briga e à morte em São Miguel Paulista, numa reunião entre o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Alexandre de Moraes – hoje ministro do STF -, o promotor Paulo Castilho e o vice-presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Fernando Solleiro.

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Decidiu-se na ocasião que todos os clássicos disputados na capital paulista teriam torcida única, sob o pretexto de que a medida evitaria a “necessidade de a Polícia Militar precisar fazer comboios e, com isso, haver mais policiamento nos entornos dos estádios”.

A determinação tinha validade até dezembro de 2016, mas foi prorrogada por tempo indeterminado. Para isso, o Ministério Público considerou a medida irreversível a curto prazo, pois, segundo o órgão, houve número crescente de público nos clássicos e queda no número de casos de violência.

Torcedor baleado já esteve em lista da FPF

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Um dos torcedores feridos na briga de Ferraz de Vasconcelos, R.L., já figurou numa lista de 16 são-paulinos proibidos de entrarem nos estádios por um período de 90 dias, por se envolver em confusões. A determinação da FPF foi divulgada em julho do ano passado.

De acordo com apuração do UOL Esporte, R.L. levou um tiro no braço direito e foi atendido no Hospital Central de Guaianases. Um corintiano, B.B., também foi atendido no local. Ele apresentava ferimentos na cabeça e escoriações pelo corpo. O confronto deixou outros 12 feridos.

Segundo um comerciante da região, um torcedor entrou em seu comércio baleado na perna e pedindo ajuda. O dono do estabelecimento, então, chamou uma ambulância para atender o torcedor. Após a briga, a polícia deteve 11 torcedores (seis corintianos e cinco são-paulinos).

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No Morumbi, longe dali, São Paulo e Corinthians empataram sem gols sob olhares de quase 59 mil torcedores tricolores. No próximo domingo, a Arena Corinthians receberá o jogo final do Paulista apenas com corintianos nas arquibancadas.