Associações pedem a Toffoli urgência na retomada de julgamento sobre criminalização da homofobia

No documento, as entidades afirmam que o Supremo precisa dar um sinal de que está comprometido com a discussão, "marcando, urgentemente" data para a continuidade do julgamento Por Estadão Conteúdo

O Cidadania Diversidade (antigo PPS Diversidade), o Grupo de Advogados pela Diversidade e as associações Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis, Transexuais e Intersexos (ABGLT), Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) e a Mães pela Diversidade pediram ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, “urgência” na retomada do julgamento que discute a criminalização da homofobia. No documento, as entidades afirmam que o Supremo precisa dar um sinal de que está comprometido com a discussão, “marcando, urgentemente” data para a continuidade do julgamento.

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Em fevereiro, o tribunal dedicou quatro sessões plenárias para julgar duas ações sobre o tema, mas a discussão foi suspensa após quatro votos favoráveis para que a homofobia seja enquadrada como uma forma de racismo. Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo, pelo menos mais dois ministros que ainda não se posicionaram devem ter o mesmo entendimento, formando maioria na Corte a favor do pleito da comunidade LGBTI.

Em documento obtido pela reportagem, as entidades relataram a Toffoli que ficaram “extremamente preocupadas” com o fato de o STF não ter incluído o julgamento na pauta de agosto, divulgada na última sexta-feira.

“Isso passa o temor de que Vossa Excelência não teria a pretensão de remarcar o julgamento sobre a homotransfobia para este período (até agosto), o que se espera seja, apenas, um mal entendido e seja ele redesignado ainda para este primeiro semestre”, afirma o advogado Paulo Iotti, que defende a ABGLT numa das ações.

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Para as associações, a suspensão do julgamento ocorreu de um jeito “extremamente inusitado”, já que a discussão foi interrompida após quatro ministros defenderem enquadrar a homofobia como uma forma de racismo, sem que nenhum integrante da Corte tivesse pedido de vista (mais tempo para análise). Na ocasião, Toffoli destacou que o Supremo já havia dedicado quatro sessões plenárias à discussão da criminalização da homofobia, o que impossibilitou a análise de outros processos.

“A situação, portanto, é absolutamente análoga à de um ‘pedido de vista antecipado’, feito por Vossa Excelência, ministro Dias Toffoli. Embora relevante, não convence a argumentação de que essa suspensão se deu pela não-realização de diversos julgamentos nas quatro sessões (…). Ora, em diversas oportunidades o STF realizou julgamentos em várias sessões e isso não foi empecilho à continuidade do julgamento (o ‘caso mensalão’ sendo o exemplo mais emblemático disso). Não faz sentido que um julgamento ocupe quatro sessões e não seja finalizado na sessão seguinte sem que haja um pedido de vista”, sustentam as entidades.

Bancada evangélica

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No documento, as associações lembram que integrantes da bancada evangélica se reuniram com Toffoli antes do início do julgamento para pressionar o ministro a retirar o tema da pauta de fevereiro. “Alguns fatos têm feito pessoas LGBTI+ e integrantes do movimento terem forte preocupação com a continuidade do julgamento. A presença de Vossa Excelência em evento religioso evangélico, organizado por notório opositor histriônico do movimento LGBT+ (o pastor Silas Malafaia) só fez aumentar, ainda mais, essa preocupação”, dizem as associações.

“O STF precisa dar um sinal de que está comprometido com a continuidade do julgamento, passados já mais de dois meses de sua inusitada suspensão – marcando, urgentemente, data para sua continuidade”, afirma o documento.

Na semana passada, Toffoli participou no Rio de Janeiro de evento com lideranças evangélicas ao lado de Malafaia e do presidente Jair Bolsonaro. Procurado, o STF não se manifestou.