Gestão Doria substitui corregedor que processou delatores do Governo de São Paulo

Marcus Vannucchi era responsável pelo setor que abriu processos administrativos contra servidores que se dispuseram a informar ao MP suspeitas de irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda Por Folhapress De São Paulo

O governo João Doria (PSDB) substituiu o corregedor-geral de Fiscalização Tributária, Marcus Vannucchi, a sete meses do fim do mandato, que se encerraria em janeiro de 2020.

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Vannucchi, no posto desde 2016, era responsável pelo setor que abriu processos administrativos contra servidores que se dispuseram a informar ao Ministério Público suspeitas de irregularidades dentro da Secretaria da Fazenda, cujos casos foram revelados pela Folha de S.Paulo.

Sob o comando de Vannucchi, por exemplo, a corregedoria tentou demitir funcionário que ajudou o Ministério Público a investigar a chamada máfia do ICMS, acusada de cobrar propina de grandes empresas para reduzir a cobrança do tributo.

O funcionário recorreu à Justiça e obteve decisão favorável à sua permanência. Em seu voto, o desembargador Rubens Rihl diz que a conduta do servidor foi irrepreensível. O episódio aconteceu durante a gestão de Geraldo Alckmin (PSDB).

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No lugar de Vannucchi, o agente fiscal de rendas Luiz Celso Afaz foi nomeado para o posto por Henrique Meirelles, secretário da Fazenda de João Doria. A decisão foi publicada no Diário Oficial de sábado (1º).

Procurada, a Secretaria da Fazenda informou, em nota, que “o corregedor-geral da Corfisp (Corregedoria da Fiscalização Tributária) não foi retirado do cargo”.

“O próprio servidor apresentou à administração pedido para que cessasse sua designação, em razão de questões de ordem familiar”, afirma o comunicado.

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“A administração acolheu o pedido e escolheu como novo corregedor-geral da Corfisp o agente fiscal de rendas Luiz Celso Afaz, em razão de sua trajetória, histórico profissional e competência em todos os cargos que ocupou ao longo da carreira”, diz.

Ao contrário da esfera federal, em São Paulo não há previsão de que funcionários do estado fiquem imunes a processos administrativos, civis ou penais por informar a autoridades sobre irregularidades nos locais em que trabalham.

A chefia de Vannucchi na Corregedoria da Fiscalização Tributária também tomou outras decisões questionadas internamente. Ele pediu, por exemplo, arquivamento de processos administrativos em alguns casos relacionados a operações policiais sobre agentes tributários.

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Um deles aconteceu em abril do ano passado, relativo à Operação Cadeia Alimentar, deflagrada pela Polícia Federal e do Ministério Público de São Paulo. Os órgãos apuravam suspeitas de crimes relacionados a empresas distribuidoras de merendas a escolas públicas.

Agentes fiscais de rendas foram alvos da ação por suposto recebimento de propinas dessas empresas.

Ao analisar o caso de um desses funcionários, Vannucchi entendeu que foi apresentada “farta documentação” que provava que não havia irregularidades no patrimônio do servidor.

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Em 2017, também pediu o arquivamento, por falta de provas, de um caso de suspeita de enriquecimento ilícito de um delegado regional tributário. O funcionário era investigado pelo Grupo Especial de Combate a Delitos Econômicos do Ministério Público de São Paulo.

A Promotoria chegou a abrir uma investigação sobre um agente fiscal que é sócio da mulher de Vannucchi, também por suspeitas de enriquecimento ilícito, mas o inquérito foi arquivado no ano passado.