Em dias de calor intenso, manter a casa fresca pode significar horas de ar-condicionado ligado e um aumento considerável no consumo de energia. Uma tecnologia desenvolvida por pesquisadores na Espanha, porém, aposta em um caminho diferente: resfriar superfícies usando um processo que não depende de eletricidade.
O material, desenvolvido pelo Instituto de Micro e Nanotecnologia (IMN-CNM-CSIC), em Madri, é produzido à base de fluoreto de polivinilideno (PVDF) e conseguiu reduzir a temperatura de superfícies em até 12,9 °C abaixo de sua referência.
O resultado é obtido por meio do resfriamento radiativo passivo, mecanismo que permite que o calor seja emitido na forma de radiação infravermelha e direcionado para o espaço.
Como funciona o material que resfria sem energia?
O segredo está na maneira como o material interage com a radiação solar e com o calor. Durante o dia, uma superfície exposta ao Sol recebe uma grande quantidade de radiação, o que normalmente faz sua temperatura subir.
O novo nanomaterial foi projetado para atuar justamente nesse processo. Ele consegue refletir a radiação solar e, ao mesmo tempo, emitir o calor acumulado na forma de radiação infravermelha.
Esse calor não simplesmente desaparece. Ele é direcionado para uma região específica do espectro eletromagnético conhecida como janela atmosférica.
O que é a janela atmosférica?
A chamada janela atmosférica corresponde, nesse caso, principalmente à faixa de radiação infravermelha entre 8 e 13 micrômetros.
Nessa faixa, parte da radiação térmica consegue atravessar a atmosfera terrestre com menos absorção por gases presentes no ar. É justamente essa característica que permite ao sistema utilizar o espaço como uma espécie de “reservatório térmico”.
Em vez de depender de um compressor, motor ou circuito elétrico para retirar calor de um ambiente, o material favorece a emissão da energia térmica para fora da superfície terrestre.
Por que ele consegue ficar mais frio que o ar?

Como o material consegue emitir radiação térmica por meio da janela atmosférica enquanto reflete grande parte da energia recebida do Sol, sua superfície pode atingir uma temperatura inferior à do próprio ar ao redor.
Na prática, isso significa que o material não precisa apenas acompanhar a temperatura ambiente. Em determinadas condições, ele consegue perder calor continuamente para o espaço.
O resultado é uma superfície mais fria, mesmo durante períodos de calor intenso.
Testes foram realizados durante o verão de Madri
A tecnologia não foi avaliada apenas em condições controladas de laboratório. Os pesquisadores realizaram experimentos em Madri durante o verão de 2025, colocando o material à prova em condições reais de temperatura e exposição solar.
Os resultados mais expressivos apareceram justamente em situações que normalmente aumentam a necessidade de refrigeração: dias quentes, secos e ensolarados.
Esse ponto é especialmente importante porque demonstra o potencial da tecnologia em um cenário cotidiano, e não apenas em uma simulação experimental.
Material pode ajudar a reduzir o uso do ar-condicionado
Caso o material consiga ser fabricado em larga escala e com preço competitivo, ele poderia ser incorporado a coberturas, telhados ou outras superfícies expostas ao ambiente.
A ideia seria diminuir a quantidade de calor absorvida pela estrutura e, consequentemente, reduzir a carga térmica que chega ao interior dos imóveis.
Isso poderia significar menor necessidade de utilização de sistemas tradicionais de ar-condicionado. Entre os possíveis benefícios estão:
- redução do consumo de eletricidade;
- menor necessidade de refrigeração mecânica;
- diminuição das emissões associadas ao uso de energia;
- possibilidade de aplicação em superfícies expostas ao Sol;
- funcionamento passivo, sem necessidade de alimentação elétrica direta.






