Estelionatários se passam por advogados renomados em golpes

Os criminosos enviam cartas de notificação comunicando as potenciais vítimas de que são beneficiárias de uma ação coletiva contra carteiras de pecúlio Por Folhapress De São Paulo

Estelionatários estão utilizando o nome de advogados renomados para aplicar golpes em idosos. Os criminosos enviam cartas de notificação comunicando as potenciais vítimas de que são beneficiárias de uma ação coletiva contra carteiras de pecúlio ou de acordos em processos de falência.

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No texto, dizem que, para receber a indenização, devem pagar as custas processuais por meio de um boleto bancário ou transferência.

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“Prazo para contato: 5 (cinco) dias úteis”, afirma uma carta enviada a um aposentado de Campo Grande (MS). “Vencido o prazo para o cumprimento do mandado, sem contato da parte beneficiária, os valores serão devolvidos aos cofres públicos.”

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O falso documento leva o nome do advogado Ricardo Hasson Sayeg, professor livre-docente em Direito Econômico pela Faculdade de Direito da PUC de São Paulo, que disputou a presidência da OAB-SP em 2012 e 2015.

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“Espero que a polícia ache e prenda esses crápulas”, afirma Sayeg. “Eles se apropriaram do meu nome para enganar pessoas de boa-fé.”

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O advogado estava em Portugal participando de um congresso internacional no início do mês quando recebeu um email de uma colega do Rio de Janeiro, alertando-o. “Suspeito que estão usando o seu nome para passar golpe em aposentados”, dizia a missivista.

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Na mensagem, ela contava ter recebido uma carta de uma empresa chamada Global Nacional de Servidores Públicos, informando-lhe que tinha direito a uma indenização de R$ 82,1 mil. Para tanto, teria de pagar “obrigações fiscais” de R$ 6.400 por meio de um boleto bancário.

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A aposentada telefonou, então, para o número indicado. “O homem que me atendeu o fez em seu nome, dando-me, inclusive, seu número de inscrição da ordem”, escreveu no email para Sayeg. “Lendo o seu currículo, porém, achei incompatível com o nível de explanação que me foi apresentado pelo dito interlocutor.”

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Desde, então, outras três pessoas já procuraram o advogado relatando situações semelhantes.

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Outro advogado que teve seu nome utilizado por golpistas foi Ricardo Innocenti. Em julho, clientes do seu escritório começaram a receber ligações de indivíduos que se passavam por ele.

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Diziam que os valores provenientes de pagamento de precatórios (dívidas reconhecidas pela Justiça) tinham sido finalmente liberados e que eles precisavam apenas depositar as custas do processo em determinada conta.

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Membro da OAB desde 1974, com atuação em mais de 20 mil processos, Innocenti não se conformou com o relato e decidiu telefonar, ele mesmo, para o número que havia sido indicado pelo estelionatário.

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“Quem está falando?”, perguntou. “É o advogado Ricardo Innocenti”, respondeu o interlocutor trapaceiro, sem hesitar. “Somos dois, então, só que eu sou o verdadeiro…”

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Innocenti gravou um vídeo no site do escritório no qual relata a situação e afirma que a polícia foi acionada. “Não façam depósito. É uma fraude.”

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Marcelo Nobre, que atua nos tribunais superiores e integrou o Conselho Nacional de Justiça (2008-2012), também já teve sua reputação utilizada por estelionatários anos atrás.

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Os criminosos localizaram um processo antigo, no qual Nobre atuara como síndico da massa falida, e enviaram cartas a credores com a assinatura do advogado. Diziam que havia sido feito um acordo, mas que precisavam pagar previamente as despesas.

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“Algumas pessoas que pagaram acharam que eu era o golpista”, conta. “Tive de contratar perícia grafotécnica.”

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Nobre diz que a polícia prendeu a quadrilha na cidade de Santos, mas que, recentemente, os criminosos foram soltos por meio de habeas corpus. “Não duvido que estejam aprontando novamente.”

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Veja dicas para não cair nesse tipo de golpe

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– É possível consultar no site do Tribunal de Justiça de São Paulo se existe mesmo processo em seu nome.

– Não pague boletos mediante promessa de receber dinheiro de indenizações ou precatórios sem se certificar da veracidade

– Em caso de carta em nome de escritório renomado de advocacia, não ligue no telefone que vem na carta; em vez disso, procure na internet o site do escritório e entre em contato pelo telefone que lá consta.


*Por Rogério Gentile, da Folhapress