TRE-SP prevê comprar notebooks de R$ 11,6 mil para juízes

A ideia é que sejam comprados equipamentos do tipo ultrabook, de alta performance, para "propiciar o acesso aos recursos da rede e à internet com maior mobilidade" Por Folhapress De São Paulo

Em meio a um período de dificuldade no Judiciário, o TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) prevê comprar 50 notebooks ao custo unitário de R$ 11,6 mil para serem usados pelos sete juízes que compõem a corte e pela elite do tribunal.

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O valor estimado a ser gasto é de R$ 580 mil. A medida, segundo o órgão, está em fase de planejamento e elaboração de estudos preliminares.

A ideia é que sejam comprados equipamentos do tipo ultrabook (mais finos e compactos), de alta performance, para “propiciar o acesso aos recursos da rede e à internet com maior mobilidade”.

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Além dos magistrados, terão acesso aos computadores os gabinetes das secretarias e assessorias, vinculados diretamente à cúpula do tribunal.

A ideia inicial do TRE-SP era adquirir computadores ainda melhores. Na primeira vez em que o interesse pela compra apareceu em um planejamento interno, em 2018, a previsão era comprar MacBooks.

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À época, o plano previa gastar até R$ 18,6 mil em cada computador da Apple.

Se isso fosse feito, a compra chegaria a R$ 928,9 mil. No entanto, a equipe que planejou a contratação (composta por três funcionários) avaliou que “não foram encontrados subsídios suficientes para justificar a aquisição da marca específica” e reduziu o custo.

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Procurado, o TRE-SP diz que esses notebooks permitem mobilidade e o uso em reuniões externas, viagens e treinamentos, e são duráveis.

“Com a implantação do Processo Judicial Eletrônico e do Sistema Eletrônico de Informação, os processos judiciais e todos os processos administrativos da Justiça Eleitoral passaram a tramitar eletronicamente e deverão ser acessados por esses usuários, necessitando ter performance adequada”, diz nota da corte.

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Segundo o órgão, atualmente os juízes e servidores usam máquinas de até sete anos de uso, com garantia expirada.

No entanto, especialistas em informática questionam se é necessário comprar equipamentos a esse custo.
Aparelhos do tipo ultrabook com configurações avançadas, indicados para as mesmas funções, podem ser encontrados por até R$ 5.000.

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Para Juliana Sakai, diretora de operações da ONG Transparência Brasil (que atua no controle social do poder público e no combate à corrupção), a compra é questionável.

Ela afirma que “falta transparência sobre por que há necessidade de comprar um computador com essas especificações avançadas e preço consequentemente mais alto”.

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“Por isso mesmo a área técnica do tribunal não se convenceu de que seriam necessários MacBooks para desempenhar essas atividades e acertou ao barrar a compra”, diz.

Ainda na opinião de Juliana, as especificações do edital são genéricas. “Oferecer acesso à internet e mobilidade é um objetivo que outros computadores portáteis mais baratos também podem garantir.”

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A compra dos 50 notebooks faz parte de um plano do TRE-SP para reestruturar a área tecnológica da corte, elaborado desde o ano passado.

A equipe de planejamento de contratação elaborou uma planilha com possíveis serviços e equipamentos para serem adquiridos durante todo o ano, com 68 itens, que incluem de pen-drives e impressoras até a prorrogação de licença para softwares. Alguns dos itens foram cancelados.

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Outra parte já está com processo de compra em curso. O TRE-SP lançou, por exemplo, proposta de compra de quatro MacBooks com adaptadores USB ao valor unitário de aproximadamente R$ 22 mil.

Esses equipamentos, de última geração, servirão para desenvolver aplicativos e exibir apresentações, de acordo com o órgão.

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O TRE-SP também abriu um processo de compra no valor de R$ 2,6 milhões para aquisição de 450 notebooks que serão usados para implementar a biometria no estado. Cada computador custará aproximadamente R$ 6.000, segundo os cálculos.

Em nota, o tribunal afirma que será destinada uma unidade desses notebooks “para cada cartório eleitoral, postos e pontos de atendimento, em substituição aos equipamentos que estão em uso atualmente e que já estão em seu fim de vida útil”.

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Também afirma que não há previsão de outras aquisições nos próximos meses.

Tribunais Regionais Eleitorais são os responsáveis por organizar as eleições nos estados e julgar ações relativas a ela. A corte é composta por dois desembargadores, dois juízes estaduais, um juiz federal e dois advogados. O TRE-SP é presidido pelo desembargador Carlos Cauduro Padin.

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Em São Paulo, episódios recentes de gastos revelados pela Folha de S.Paulo levantaram questionamentos dentro do tribunal. Em um deles, o órgão deu hora extra a funcionários para trabalharem em uma eleição privada da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados).


*Por Joelmir Tavares e José Marques, da Folhapress