60 anos do Copan: das mãos de Niemeyer a cenário Literário

Você nunca mais olhará para o edifício Copan da mesma forma; cartão postal é conhecido mundialmente

Victor Bonini lança seu novo livro e movimenta o cenário da literatura nacional. Foto: Thiago Freire

  • Por: Juliana Ribeiro

Você nunca mais olhará para o edifício Copan da mesma forma. Prédio tradicional paulistano, criado pelo lendário arquiteto Oscar Niemeyer, esta construção sinuosa é um cartão postal conhecido mundialmente, e agora, em seu 60º aniversário, torna-se também cenário de um thriller policial.

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Quem gosta de tramas psicológicas, uma forte atmosfera de suspense, viagem no tempo, cultura e muitas reviravoltas, não se decepcionará com as páginas escritas pelo autor Victor Bonini, em seu novo livro sobre o Copan.

Comemoração

Hoje, 25 de maio de 2026, em comemoração às seis décadas do Copan, Bonini, que deixou São Paulo há 7 anos para viver em Nova York, presenteia sua cidade natal e o seu centro histórico com o lançamento de O Crime no Copan, editado pela Companhia das Letras, sua nova casa editorial.

Jornalista de formação e roteirista, possui seis livros publicados, mas neste ele expressa diretamente seu encantamento pela vida real desta região: seu passado histórico, suas problemáticas sociais, encontros, desencontros, e mistérios.

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Um spoiler autorizado: este livro já teve seus direitos vendidos para virar filme antes mesmo de chegar às livrarias.

Compartilho agora com vocês um pouco de nosso bate-papo com o autor, em sintonia com o lançamento nacional do livro nesta data festiva e a liberação de sua venda em todo o Brasil.

O Edifício Copan é o personagem principal de seu livro?

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Sim. Ele é muito mais do que o cenário da trama, que ocorre 90% dentro dele. O Copan é a essência de toda a história, sendo o grande personagem, é um ser onisciente e onipresente que conduz a história em sua estrutura física, na motivação por trás dos fatos, e dentro da mente dos personagens.

Ele é grandioso em tudo: pelo o que ele representa em sentido arquitetônico e humano para São Paulo e isso se traduz no poder que ele exerce na história.

O que o atrai no Centro de São Paulo?

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Tenho memórias familiares de quando as pessoas arrumavam-se para ir ao Centro, era um passeio nobre e o lugar de encontro das pessoas. Isso sempre me encantou tanto que quis homenagear esta fase de São Paulo de alguma forma.

Por exemplo, retrato em algumas passagens do livro outro ícone desta época em sua fase áurea, o Mappin, pois uma das personagens tem uma ligação direta com ele.

 Com recursos de flashbacks relaciono alguns personagens e cenários deste período com o que acontece hoje no livro, misturando elementos históricos ao enredo.

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As contradições e pluralidades do Centro me fazem refletir, e quero levar meu leitor para este lugar também, para não enxergarmos só as conhecidas polêmicas que envolvem esta região, mas entendê-las, discutir o processo de gentrificação, suas consequências, e a potência geradora de cultura que há ali.

O Copan tem várias lendas urbanas de fantasmas, você se inspirou em alguma história que ouviu?

Eu li várias histórias sobre aparições e casos sem explicação, mas fui além e criei a minha própria lenda urbana, inédita, que está entrelaçada com as três investigações em curso: a dos dois personagens que morrem simultaneamente e o que isso tem a ver com esta nova lenda que surge em uma kitnet do prédio.

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Historicamente o Copan tem essa aura sobrenatural, então isto se mistura ao enredo de forma intrínseca, mesmo meu livro não sendo sobre este tema.

Entendo que um fantasma é, sobretudo, o reflexo de algo que aconteceu e não se resolveu.

Por este olhar, o Copan contém essa energia de dramas não resolvidos ou mal resolvidos, que derivam da própria vida das pessoas retratadas, bem como de seu entorno.

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Você é fã de Ágatha Christie, neste novo livro podemos encontrar elementos que revelam alguma inspiração direta em seu estilo?

Sim, sou muito fã! Em todos os meus livros eu trago elementos de sua estrutura narrativa, onde ela distribuía pistas de forma tão magistral que o leitor não via na sua frente o final estrondoso que estava por vir.

Já uma particularidade de meus personagens é que são todos brasileiros e vivem nos dias de hoje, imersos em nossa cultura.

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Agora, o final de Crime no Copan segue totalmente a expectativa do clímax criado pela cartilha de Ágatha Christie, com a solução do mistério sendo de fato uma grande surpresa para o leitor.

Qual personagem você aposta que o público irá amar ou detestar?

Bem, retratei em sua maioria pessoas que eu adoraria conhecer, com boas índoles e personalidades interessantes. Gosto muito da Lana, uma jovem estudante, destemida, engraçada, fiel ao seu amigo.

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E tenho um carinho muito especial pela Agnes, mãe de família, altruísta, aquela pessoa disponível para ajudar mesmo fazendo milhares de coisas ao mesmo tempo, mas sem perder a alegria, sabe? Ela tem a alma bem brasileira e acolhedora. Mas há vilões.

Eu desejo agora saber a opinião do leitores sobre todos eles.

Boa leitura! Você já pode encontrar este livro clicando aqui.