A Polícia de SP deflagrou nesta quinta-feira (3/9) a Operação Helmintos contra um núcleo ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação investiga uma estrutura suspeita de usar atividades econômicas e relações políticas para movimentar recursos de origem ilícita.
Operação da Polícia de SP ocorre em quatro cidades
A investigação é conduzida pelo Departamento de Polícia Judiciária de São Paulo Interior 6 (Deinter 6). As equipes cumprem diligências em Praia Grande, Guarujá, Santo André e Santana de Parnaíba.
Os alvos incluem imóveis residenciais e comerciais, empresas e uma área da administração municipal. A apuração também envolve possíveis conexões entre integrantes do grupo e atividades econômicas desenvolvidas em Praia Grande.
Segundo a investigação, a estrutura teria movimentado cerca de R$ 1 bilhão. Os recursos seriam incorporados ao patrimônio por meio de imóveis de alto padrão, empresas e estabelecimentos comerciais.
Grupo teria diferentes formas de atuação
A Polícia de SP identificou quatro frentes investigadas no esquema. Uma delas envolve negócios imobiliários usados, segundo a apuração, para lavagem de dinheiro.
Outra frente está relacionada ao controle de quiosques instalados em áreas públicas de Praia Grande. A investigação também apura suspeitas de favorecimento em procedimento licitatório municipal.
O quarto ponto envolve possível financiamento ou apoio a agentes políticos eleitos. Para os investigadores, esses elementos podem indicar uma tentativa de ampliar a presença do grupo em setores do Executivo e do Legislativo municipal.
Investigação apura uso de intermediários e imóveis
A estrutura investigada seria composta por lideranças do PCC, operadores financeiros e intermediários ligados ao mercado imobiliário. Pessoas apontadas como testas de ferro também fariam parte da operação.
Esses indivíduos seriam utilizados para registrar bens ou participar de negócios sem aparecer como os verdadeiros controladores. A estratégia teria contribuído para dificultar a identificação da origem e do destino dos recursos.
A apuração levou a Polícia de SP a solicitar medidas judiciais contra os investigados. Entre elas estão prisões temporárias, buscas e apreensões e medidas para impedir a movimentação do patrimônio.
Justiça determina bloqueios e sequestro de imóveis
A Justiça autorizou o bloqueio de contas e investimentos relacionados aos investigados. Também foi determinado o sequestro de 29 imóveis apontados como vinculados ao grupo.
As equipes procuram documentos, contratos, registros financeiros e aparelhos eletrônicos. Dinheiro em espécie, armas e outros materiais também estão entre os itens que podem ser apreendidos.
O material recolhido poderá ajudar os investigadores a esclarecer a movimentação financeira. A apuração busca ainda identificar outros participantes e dimensionar o patrimônio relacionado ao esquema.
O que a Operação Helmintos investiga
A operação apura suspeitas de organização criminosa, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. O foco está na possível utilização de negócios e relações com o poder público para ocultar recursos e ampliar a atuação econômica do grupo.
O nome Helmintos faz referência ao modo como os investigadores descrevem a presença da estrutura na economia local. A denominação também está relacionada à suspeita de prejuízo à livre concorrência.
A investigação permanece sob sigilo. A Polícia de SP ainda busca esclarecer a participação de outras pessoas e a extensão das relações econômicas e políticas identificadas durante o trabalho policial.
Novas informações podem surgir conforme os documentos e demais materiais apreendidos sejam analisados. A apuração deve indicar se outras pessoas ou empresas tiveram participação nas operações investigadas.
