75 anos de relações: embaixador da Etiópia projeta ‘futuro brilhante’ com o Brasil

Leulseged Tadese Abebe, em entrevista à Gazeta, falou sobre as relações entre os dois países e a entrada da Etiópia no Brics

Embaixador da Etiópia Leulseged Tadese Abebe em entrevista à Gazeta

Embaixador da Etiópia Leulseged Tadese Abebe em entrevista à Gazeta/Yasmin Martildes/Gazeta de S.Paulo

Os laços entre o Brasil e o continente africano nunca estiveram tão fortes. Na terça-feira (19/5), o embaixador da Etiópia, Leulseged Tadese Abebe, concedeu entrevista exclusiva à Gazeta, do Gazeta Media Group (GMG). Durante a conversa, o diplomata destacou a relação bilateral com o Brasil em termos comerciais, além dos vínculos históricos e culturais compartilhados entre os países.

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O GMG celebra a participação do embaixador etíope Leulseged na redação da Gazeta justamente na semana que antecede o Dia da África, data que destaca a importância de um continente fundamental para a origem da humanidade e que possui inúmeras ligações com o Brasil.

75 anos de parceria

Em 2026, Brasil e Etiópia comemoram 75 anos de relações diplomáticas. Segundo Leulseged, este marco representa uma oportunidade para reafirmar o compromisso de uma parceria estabelecida há mais de sete décadas.

“Que esse aniversário nos lembre dos melhores momentos do passado, mas também nos dê um momento para modelar um futuro brilhante, ancorado em uma parceria econômica”.

Essa parceria ganhou ainda mais força em 2024, quando a Etiópia filiou-se oficialmente ao BRICS, aliança internacional criada em 2006, da qual o Brasil é membro fundador.

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“Quanto às questões com as quais o BRICS vem lidando nos últimos 20 anos, a Etiópia enfrenta situações semelhantes há oito décadas. Então, por mais que sejamos relativamente novos no BRICS, se considerarmos essas questões em comum, não somos tão novos assim”, comenta o embaixador, destacando o alinhamento de ideias entre os países-membros.

A força dipolmática de Adis Abeba, a capital etíope

Adis Abeba é uma das cidades mais importantes da África em termos diplomáticos, por sediar a União Africana (UA), sucessora da Organização da Unidade Africana (OUA). Além de capital da Etiópia, é considerada a capital política do continente africano.

Com isso, a cidade se posiciona como o terceiro maior centro diplomático do mundo, atrás apenas de Nova York e Genebra.

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A cidade também tem se destacado mundialmente pelos avanços tecnológicos e pela melhoria da infraestrutura, impactando positivamente a vida da população etíope.

“Nós temos a estratégia ‘Etiópia Digital 2030’. Queremos usar a tecnologia para elevar a qualidade de vida. Acreditamos que essas tecnologias digitais devem ser usadas como facilitadoras de um desenvolvimento sustentável e inclusivo”, comentou Leulseged.

Um exemplo desse desenvolvimento é a tecnologia Telebirr, um sistema de transações financeiras semelhante ao Pix, do Brasil.

O País também aproveita a infraestrutura estratégica de Adis Abeba. Graças à Ethiopian Airlines, principal companhia aérea do país africano, há voos diretos diários para São Paulo.

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Leulseged avalia que isso deve ser visto como uma vantagem estratégica: “Parece que estamos muito distantes geograficamente, mas essa já não é nossa realidade. Estamos digitalmente próximos e a Ethiopian Airlines nos conecta todos os dias. Então, precisamos começar a olhar para uma África em transformação como um polo de negócios e oportunidades.”

Dessa forma, o embaixador da Etiópia conclui que Adis Abeba, por sua posição estratégica, geográfica e política, deve ser tratada comoporta de entrada do Brasil e da América do Sul para relações comerciais com o continente africano.

Herança histórica da África

Adis Abeba foi escolhida como centro político da África principalmente por sua relevância histórica. Durante a entrevista, destacou-se o fato de que a Etiópia é frequentemente indicada como um símbolo africano de resistência ao colonialismo europeu.

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“Temos promovido o pan-africanismo no continente, buscando igualdade, justiça e, é claro, liberdade”, pontuou Leulseged.

A Etiópia também é popularmente conhecida como o “berço da humanidade”, por ser uma das civilizações mais antigas da história e por preservar muitas de suas culturas originárias.

Além disso, o país ganhou relevância científica com a descoberta de Lucy, um dos fósseis de hominídeos mais importantes já encontrados.

O embaixador da Etiópia argumenta que essefato deve ser interpretado como um elo atemporal entre os povos: “É por isso que digo sempre, quando venho a diversos lugares do Brasil e encontro amigos brasileiros, que eles são todos etíopes.”

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GMG: parceira de mídia oficial do continente africano

A visita do diplomata à redação da Gazeta, em uma semana tão importante, além de valorizar historicamente a África, reforça a parceria entre o GMG e a Afrochamber, entidade que atua como ponte entre o Brasil e as 55 nações africanas.

A entrevista com Leulseged representa um dos primeiros passos do GMG em sua missão de combater a desinformação no Brasil sobre o continente africano e contribuir para o reconhecimento de sua importância histórica.