Um novo medicamento contra a gripe poderá facilitar o tratamento da influenza no Brasil. O antiviral baloxavir marboxil, desenvolvido pela farmacêutica Roche, será desenvolvido no País pela Biolab Farma e tem como principal diferencial a administração em dose única: o paciente toma apenas um comprimido por via oral.
A iniciativa faz parte de um acordo internacional de licenciamento que envolve 11 farmacêuticas de nove países. A Biolab foi a única empresa brasileira selecionada para fabricar o medicamento, cuja licença abrange 129 países.
Apesar do anúncio, o antiviral ainda não está disponível no mercado brasileiro. Antes de chegar às farmácias, o produto precisará passar pelas etapas de desenvolvimento e pelos estudos necessários, além de obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Como funciona o novo antiviral contra a gripe?
O baloxavir marboxil atua de maneira diferente de outros antivirais utilizados no tratamento da influenza. Enquanto medicamentos tradicionais interferem em uma etapa final do ciclo de replicação do vírus, o novo composto bloqueia uma proteína necessária para que o agente infeccioso consiga se multiplicar. Com isso, o medicamento promove uma redução rápida da carga viral nas vias respiratórias.
Aprovado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2018, o baloxavir inaugurou uma nova classe de antivirais e foi o primeiro medicamento contra influenza com um mecanismo de ação inédito aprovado em quase duas décadas.
Outro diferencial está na duração do tratamento. Enquanto alguns antivirais exigem administração durante vários dias, o baloxavir é tomado uma única vez, por via oral.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o medicamento para o tratamento de pacientes com gripe não grave e alto risco de desenvolver complicações. Também há indicação para prevenção em pessoas com risco muito elevado de hospitalização que tiveram contato com alguém infectado.
Estudos apontam redução da transmissão da gripe
Além da praticidade de tomar apenas um comprimido, pesquisas internacionais identificaram resultados relacionados à transmissão da influenza.
Publicado em 2025 no periódico científico New England Journal of Medicine, o estudo CENTERSTONE acompanhou mais de 4 mil participantes em 272 centros de pesquisa ao redor do mundo. Os resultados mostraram que pacientes tratados com baloxavir tiveram 32% menos chance de transmitir o vírus para pessoas que moravam na mesma residência.
Segundo os pesquisadores, foi o primeiro estudo global de fase III a demonstrar que um antiviral poderia reduzir a transmissão de um vírus respiratório.
Outro levantamento, chamado BLOCKSTONE, avaliou o uso preventivo do medicamento após o contato com pessoas infectadas. Nesse caso, o risco de desenvolver gripe foi 86% menor entre os participantes que receberam o antiviral, na comparação com aqueles que receberam placebo.
Em crianças, o estudo miniSTONE-2 também identificou uma redução no período de eliminação do vírus pelo organismo. O tempo caiu de aproximadamente 76 horas com o uso de oseltamivir para 24 horas com baloxavir. O medicamento já recebeu aprovação em mais de 70 países. Em junho de 2026, a agência reguladora norte-americana FDA também aprovou a primeira versão genérica do produto nos Estados Unidos.
Gripe ainda preocupa no Brasil
A influenza continua entre as principais causas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no País.
De acordo com o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil registrou 130.054 casos de SRAG entre janeiro e o início de agosto de 2026. Entre os casos em que foi possível identificar o agente causador, aproximadamente um em cada quatro foi provocado pelo vírus da influenza.
O cenário reforça a importância de ampliar as alternativas de prevenção e tratamento contra a doença, especialmente para pessoas mais vulneráveis a complicações.
Quando o novo antiviral chegará ao Brasil?
Embora o medicamento já tenha sido aprovado em outros mercados, ainda não há uma data informada para sua comercialização no Brasil. A escolha da Biolab Farma para desenvolver o medicamento no Brasil foi anunciada pelo Medicines Patent Pool (MPP), organização internacional apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).
A iniciativa busca ampliar o acesso a medicamentos essenciais em países de baixa e média renda, por meio de acordos de licenciamento voluntário com empresas farmacêuticas detentoras de patentes.
Com a sublicença, a Biolab dará início ao desenvolvimento do baloxavir marboxil no Brasil. O processo inclui os estudos necessários e, posteriormente, a solicitação de registro à Anvisa.
Em declaração sobre o acordo, Fabio Amorosino, presidente do grupo Biolab & Co., afirmou que a seleção representa um avanço para a participação brasileira no desenvolvimento de alternativas contra a influenza.








