Antiviral contra gripe em dose única será produzido no Brasil; veja como funciona

A iniciativa faz parte de um acordo internacional de licenciamento que envolve 11 farmacêuticas de nove países; Biolab foi a única empresa brasileira selecionada para fabricar o medicamento

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Segundo os pesquisadores, foi o primeiro estudo global de fase III a demonstrar que um antiviral poderia reduzir a transmissão de um vírus respiratório./ Foto: Divulgação/ Unsplash

Um novo medicamento contra a gripe poderá facilitar o tratamento da influenza no Brasil. O antiviral baloxavir marboxil, desenvolvido pela farmacêutica Roche, será desenvolvido no País pela Biolab Farma e tem como principal diferencial a administração em dose única: o paciente toma apenas um comprimido por via oral.

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A iniciativa faz parte de um acordo internacional de licenciamento que envolve 11 farmacêuticas de nove países. A Biolab foi a única empresa brasileira selecionada para fabricar o medicamento, cuja licença abrange 129 países.

Apesar do anúncio, o antiviral ainda não está disponível no mercado brasileiro. Antes de chegar às farmácias, o produto precisará passar pelas etapas de desenvolvimento e pelos estudos necessários, além de obter o registro da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Como funciona o novo antiviral contra a gripe?

O baloxavir marboxil atua de maneira diferente de outros antivirais utilizados no tratamento da influenza. Enquanto medicamentos tradicionais interferem em uma etapa final do ciclo de replicação do vírus, o novo composto bloqueia uma proteína necessária para que o agente infeccioso consiga se multiplicar. Com isso, o medicamento promove uma redução rápida da carga viral nas vias respiratórias.

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Aprovado pela primeira vez nos Estados Unidos em 2018, o baloxavir inaugurou uma nova classe de antivirais e foi o primeiro medicamento contra influenza com um mecanismo de ação inédito aprovado em quase duas décadas.

Outro diferencial está na duração do tratamento. Enquanto alguns antivirais exigem administração durante vários dias, o baloxavir é tomado uma única vez, por via oral.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda o medicamento para o tratamento de pacientes com gripe não grave e alto risco de desenvolver complicações. Também há indicação para prevenção em pessoas com risco muito elevado de hospitalização que tiveram contato com alguém infectado.

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Estudos apontam redução da transmissão da gripe

Além da praticidade de tomar apenas um comprimido, pesquisas internacionais identificaram resultados relacionados à transmissão da influenza.

Publicado em 2025 no periódico científico New England Journal of Medicine, o estudo CENTERSTONE acompanhou mais de 4 mil participantes em 272 centros de pesquisa ao redor do mundo. Os resultados mostraram que pacientes tratados com baloxavir tiveram 32% menos chance de transmitir o vírus para pessoas que moravam na mesma residência.

Segundo os pesquisadores, foi o primeiro estudo global de fase III a demonstrar que um antiviral poderia reduzir a transmissão de um vírus respiratório.

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Outro levantamento, chamado BLOCKSTONE, avaliou o uso preventivo do medicamento após o contato com pessoas infectadas. Nesse caso, o risco de desenvolver gripe foi 86% menor entre os participantes que receberam o antiviral, na comparação com aqueles que receberam placebo.

Em crianças, o estudo miniSTONE-2 também identificou uma redução no período de eliminação do vírus pelo organismo. O tempo caiu de aproximadamente 76 horas com o uso de oseltamivir para 24 horas com baloxavir. O medicamento já recebeu aprovação em mais de 70 países. Em junho de 2026, a agência reguladora norte-americana FDA também aprovou a primeira versão genérica do produto nos Estados Unidos.

Gripe ainda preocupa no Brasil

A influenza continua entre as principais causas de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) no País.

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De acordo com o boletim InfoGripe, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Brasil registrou 130.054 casos de SRAG entre janeiro e o início de agosto de 2026. Entre os casos em que foi possível identificar o agente causador, aproximadamente um em cada quatro foi provocado pelo vírus da influenza.

O cenário reforça a importância de ampliar as alternativas de prevenção e tratamento contra a doença, especialmente para pessoas mais vulneráveis a complicações.

Quando o novo antiviral chegará ao Brasil?

Embora o medicamento já tenha sido aprovado em outros mercados, ainda não há uma data informada para sua comercialização no Brasil. A escolha da Biolab Farma para desenvolver o medicamento no Brasil foi anunciada pelo Medicines Patent Pool (MPP), organização internacional apoiada pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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A iniciativa busca ampliar o acesso a medicamentos essenciais em países de baixa e média renda, por meio de acordos de licenciamento voluntário com empresas farmacêuticas detentoras de patentes.

Com a sublicença, a Biolab dará início ao desenvolvimento do baloxavir marboxil no Brasil. O processo inclui os estudos necessários e, posteriormente, a solicitação de registro à Anvisa.

Em declaração sobre o acordo, Fabio Amorosino, presidente do grupo Biolab & Co., afirmou que a seleção representa um avanço para a participação brasileira no desenvolvimento de alternativas contra a influenza.