Anvisa recebe pedido de uso emergencial da vacina Covaxin

O imunizante, desenvolvido contra a Covid, é fabricado pela empresa Bharat Biotech, da Índia

Liberada para uso emergencial, Covaxin não é recomendada para aplicação em grávidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS)

Liberada para uso emergencial, Covaxin não é recomendada para aplicação em grávidas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) | Reprodução/Bharat Biotech

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) informou ter recebido nesta terça-feira (29) um pedido de uso emergencial da vacina Covaxin. O imunizante, desenvolvido contra a Covid, é fabricado pela empresa Bharat Biotech, da Índia.

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O pedido foi feito pela Precisa Medicamentos, que representa o laboratório no Brasil. A solicitação ocorre em um momento em que a CPI da Covid apura suspeitas de irregularidades em contrato firmado pelo Ministério da Saúde com a empresa para obter 20 milhões de doses da vacina.

Em nota, a Anvisa diz que já iniciou a triagem dos documentos presentes no pedido. O prazo de análise varia de sete dias úteis a até 30 dias. A agência, porém, também pode suspender o prazo e pedir mais informações ao laboratório caso houver dados faltantes.

A intenção de submeter o pedido à agência já havia sido informada pela Precisa no domingo (27).

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Em nota, a empresa diz que a autorização é “a única etapa que falta” para que 20 milhões de doses negociadas com a Saúde “comecem a ser importadas e aplicadas no Brasil”.
“Estudos internacionais já apontaram eficácia geral da Covaxin de 78% em sintomáticos e 100% em casos graves, o que colaboraria de forma significativa na redução das mortes no Brasil”, informoiu na ocasião.

Apesar do anúncio da empresa, o Ministério da Saúde já avalia suspender ou até mesmo cancelar o contrato para obtenção das doses. A avaliação ocorre em meio ao avanço das investigações sobre o caso.

A existência de denúncias de irregularidades foi revelada pela Folha de S.Paulo na sexta-feira passada (18), com a divulgação do depoimento sigiloso de Luís Ricardo Miranda, chefe da divisão de importação do Ministério da Saúde.

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Ele disse ao Ministério Público Federal em Brasília que recebeu uma “pressão atípica” para agilizar a liberação da Covaxin, desenvolvida pelo laboratório Bharat Biotech.

A situação resultou em uma nova linha de investigação da CPI. Em depoimento na sexta (25) à comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF), irmão do servidor, disse que alertou Bolsonaro em março sobre supostas irregularidades na compra da Covaxin.

Miranda também relatou que Bolsonaro teria ligado o líder do governo na Câmara, o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR), ao “rolo” nas negociações para a compra da vacina indiana. Barros negou ter participado da negociação.

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O presidente Bolsonaro mandou a Polícia Federal investigar o deputado e o servidor, mas não explicou o que fez ao ser alertado por eles sobre as supostas irregularidades.
O contrato da Saúde com a Precisa foi firmado em fevereiro, ainda em um momento em que a vacina não tinha tido todos os resultados de estudos clínicos divulgados, e com previsão de custo de US$ 15 a dose.

Meses antes, o ministério já tinha negado propostas de vacinas mais baratas e já aprovadas em outros países, como a Pfizer.

Integrantes do governo dizem que o acordo tinha como objetivo obter doses ainda no primeiro semestre. A previsão de entrega, no entanto, nunca foi cumprida.

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No início de junho, após negativa de um pedido anterior, a Anvisa concedeu aval ao Ministério da Saúde para importação da vacina, desde que cumpridos diferentes requisitos, como acompanhamento em estudos clínicos. O volume de doses para importação inicial também foi limitado a 4 milhões.

Desde então, porém, a pasta não fez novas reuniões com a Anvisa. Dentro do ministério, a avaliação é que a soma das investigações, falta de aval para uso emergencial e a dificuldade na previsão de entrega colaboram para a possibilidade de cancelamento do contrato.

Ainda neste ano, a empresa fez um pedido para estudos clínicos da vacina no Brasil, o qual foi aceito em maio pela Anvisa. A previsão é que os testes sirvam como complemento a dados da vacina obtidos em estudos na Índia.